Vaticano afasta bispo espanhol acusado de ter uma amante

Papa Francisco aceitou renúncia de Javier Salinas, até agora bispo de Maiorca, depois de este ter sido acusado de manter uma relação amorosa com a sua secretária. Na origem da denúncia feita à Santa Sé esteve o marido desta

O Papa Francisco aceitou ontem a renúncia do bispo de Maiorca. Javier Salinas foi acusado em dezembro pelo marido de uma das suas colaboradoras de ter tido uma relação amorosa com ela. O religioso nega as acusações, tal como a mulher em causa, a aristocrata Sonia Valenzuela, mas segundo alguns jornais espanhóis o afastamento de Salinas não apanhou propriamente ninguém de surpresa em Maiorca, já que na ilha toda a gente falava na "namorada do bispo".

A denúncia apresentada à Santa Sé pelo marido de Sonia Valenzuela, Mariano de España, teve como fundamento as provas recolhidas por um detetive privado que contratou. Segundo a documentação reunida pelo detetive, a mulher de España, que era secretária do bispo, ia quase todos os dias às escondidas à casa do religioso fora do horário de trabalho normal. Após passarem a tarde juntos, Valenzuela saía da casa de Salinas quase sempre entre as 21.30 e as 22.00. Além destas informações, o detetive gravou 145 horas de conversas telefónicas entre os dois, algumas durante a madrugada, nas quais abundavam comentários amorosos, lembrava ontem o jornal Público.

"Não tenho consciência de ter atuado contra a doutrina da Igreja", disse Salinas em dezembro, falando à rádio Cope Maiorca. O bispo admitiu que ele e a sua colaboradora tinham trocado anéis, depois de terem posto em marcha um grupo de oração, escreveu o jornal ABC, realçando que o dito grupo de oração tinha apenas dois membros: o bispo e a sua secretária. De acordo com a imprensa espanhola, os anéis continham uma inscrição: "Caminhantes".

Negando sempre que tenha tido uma amante, Salinas disse que as acusações de España se deviam ao facto de aceitar mal o processo de separação da mulher e de culpá-la pela rutura. O divórcio saiu a 23 de junho e o ex-marido de Sonia Valenzuela foi ao ponto de solicitar a nulidade eclesiástica do matrimónio. España e Valenzuela estavam casados há cerca de 25 anos e têm três filhos. "A acusação contra o bispo é falsa", alegou Valenzuela, filha da condessa de Albercón e professora de Economia Aplicada na Universidade das Ilhas Baleares.

Javier Salinas nasceu há 68 anos em Valência e foi ordenado padre em junho de 1974. Cinco anos depois rumou a Itália e aí finalizou os estudos superiores. Regressou depois a Valência. Em 1992 foi nomeado pelo Papa bispo de Ibiza, em 1997 bispo de Tortosa e, em 2012, de Maiorca. Agora foi afastado e, por decisão do Papa Francisco, enviado de volta para Valência, onde será agora bispo auxiliar. O atual líder da Igreja Católica nomeou também entretanto um substituto temporário para Salinas como bispo de Maiorca, o maiorquino Sebastiá Tratavull.

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