Um eurocético para virar Os Republicanos à direita e ser alternativa a Macron

Laurent Wauquiez, de 42 anos, é o favorito à vitória nas eleições de hoje e dia 17 para a liderança do partido da direita tradicional.

Perante um partido dividido, com uma ala dissidente a criar a sua própria formação, chamada Agir, e membros a sair para integrar o La République en Marche! do presidente Emmanuel Macron, Laurent Wauquiez garante que salvar Os Republicanos não passa por meios-termos. "Não vamos unir as pessoas se formos tépidos", garantia à Reuters o favorito à liderança da direita tradicional francesa quando esta for a votos hoje e no próximo dia 17. Eurocético, defensor de uma linha dura na imigração e na segurança, o antigo ministro de 42 anos acredita que uma viragem à direita é o rumo que Os Republicanos precisam de tomar depois de o seu candidato, François Fillon, ter sido o favorito às presidenciais de 2017 e ter acabado por nem passar à segunda volta.

E se ainda não assumiu oficialmente as rédeas do partido, Wauquiez tem procurado rodear-se de jovens, na primeira etapa da "limpeza" que promete fazer n"Os Republicanos, afastando a velha guarda, que vê como grande responsável pela deriva do partido.

Mas o próprio Wauquiez parece despertar pouco entusiasmo. A última sondagem Odoxa para a revista L"Express revela que só 16% dos franceses aderem à sua mensagem. E mesmo entre os simpatizantes da direita, só 46% dos inquiridos afirmaram ter simpatia pelo antigo ministro, que em 2014 e 2015 foi secretário-geral da UMP (o anterior nome d"Os Republicanos). "O problema d"Os Republicanos é que não estão a mostrar aos franceses uma imagem de união ou um futuro líder que represente uma oposição suficientemente forte", afirmou o presidente da Odoxa, Gael Sliman.

No seu livro Europe: Il faut tout Changer (Europa: É preciso Mudar tudo), Wauquiez defende a saída da França do espaço Schengen (livre circulação de pessoas e bens). O antigo ministro dos Assuntos Europeus, pasta que ocupou em 2010--2011, propõe uma Europa reduzida a seis membros. Ideias que não podiam contrastar mais com as do presidente Macron, acérrimo defensor de mais Europa. As suas posições à direita já valeram a Wauquiez ser comparado ao presidente dos Estados Unidos Donald Trump. Em outubro, o presidente da Assembleia Nacional francesa, François de Rugy, garantia que o candidato à liderança d"Os Republicanos "tenta ser um Trump à francesa", mas "pelo menos o senhor Trump pode orgulhar-se de ter tido sucesso económico pessoal. Qual é o sucesso de Laurent Wauquiez"?

Descendente de duas famílias de industriais do Norte de França, Wauquiez nasceu em Lyon em 1975. Os pais divorciaram-se quando ele tinha 1 ano e foi criado pela mãe e pela avó. A política, essa corre-lhe nas veias. Descendente de presidentes de câmara, deputados e senadores, a própria mãe, Éliane Wauquiez-Motte, foi eleita em 2008 autarca de Chambon-sur-Lignon.

Amante de corridas, o candidato à liderança d"Os Republicanos nunca larga o relógio que mede as passadas. E a sua carreira é também feita em passo acelerado. Formado em Direito e depois pela prestigiada ENA (Escola Nacional de Administração), aos 29 anos é eleito deputado. Porta-voz do governo, secretário de Estado, ministro. O menino bonito da direita, que, segundo o Le Monde, não hesita em pagar 15 mil euros por aulas de colocação de voz, não esconde a ambição. Para já, se vencer a corrida à liderança d"Os Republicanos, este homem, casado e pai de dois filhos, tem pela frente grandes desafios para recuperar a credibilidade do partido.

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