TV argelina motiva polémica ao oferecer mulher para casar como presente

Um dos mais populares programas de humor da televisão argelina está a originar uma acesa polémica e indignação social, ao incluir numa cena filmada com câmara oculta o sorteio de uma mulher.

Com o título Ana wa Radjli (O meu marido e eu), e num horário de máxima audiência, o canal privado Numídia ofereceu no início do mês do Ramadão, no passado fim de semana, a um homem de 39 anos aquilo que o apresentador definiu como um "presente": uma mulher para que se tornasse sua esposa.

O concorrente, que estava a ser filmado em segredo, apenas tinha de enumerar as suas preferências e as características que a mulher deveria ter para "ganhar o prémio". Uma mulher entrou de seguida, acompanhada de um imã e dos documentos necessários para celebrar e legalizar o casamento nesse mesmo instante.

Um "presente" que o mesmo apresentador disse ao surpreendido concorrente "poder trocar por outros que tinha preparado caso não lhe agradasse". Paralisado, o homem apenas respondeu que devia consultar a sua família, relata a agência noticiosa Efe.

A cena motivou de seguida a indignação de numerosos espetadores, que reagiram nas redes sociais, e motivou uma reação da Autoridade de Regulação Audiovisual (ARAV), ao advertir o canal de que a emissão incorreu em "flagrantes delitos contra a ética profissional e atentado à ordem pública".

Perante as críticas dos espetadores e a ameaça direta da ARAV, a Numídia TV optou por cancelar o programa, emitiu desculpas e assegurou tratar-se de "um erro isolado, de incorreta apreciação".

Os programas de câmara oculta são uma das tradições que se repetem em cada Ramadão e geralmente suscitam alguma polémica, mas sem a veemente reação registada este ano.

Em 2017, a câmara oculta indignou o escritor Rachid Boudjedra, comunista e ateu, que foi pressionado para resignar ao seu ateísmo e declarar-se muçulmano.

Em 2015, um canal televisivo simulou o sequestro, por falsos terroristas, de Madjid Bougherra, o futebolista internacional argelino retirado da competição e que jogou pelos escoceses do Glasgow Rangers.

Bougherra foi conduzido ao deserto onde foi encenada uma falsa execução, entre gritos e lágrimas.

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