Turistas infetados na Ibiza dos Alpes processam governo austríaco

Em causa a forma como o governo da Áustria geriu, em março, o surto na estãncia de esqui tirolesa, que é tido como o foco inicial da primeira onda de infeções na Europa.

Ischgl, uma estância de esqui no Tirol com 1600 habitantes permanentes, foi oficialmente apontada como o ponto de partida para centenas de infeções pelo novo coronavírus na própria Áustria, na Alemanha, na Islândia, na Dinamarca e na Noruega.

Acredita-se que o surto tenha ajudado a alimentar a primeira onda de infeções na Europa. Agora, um advogado de mais de 1000 pessoas, que dizem ter ficado infetadas devido ao surto na estância, está a processar o governo austríaco pela forma como lidou com o problema.

Peter Kolba anunciou na quarta-feira, em Viena, que entrou com ações judiciais no dia anterior em nome de dois turistas e de um empresário que contraíram o vírus no resort, também conhecido como a Ibiza dos Alpes.

A família de um homem que morreu após ser ter infetado em Ischgl também está a processar o governo austríaco, avança o site da Deutsche Welle (DW).

Exigem até 100 mil euros de indemnização pelos danos causados.

Estes quatro casos são as primeiras tentativas de ação legal sobre o surto e podem levar a outros processos de ação coletiva para os muitos outros que contraíram o novo coronavírus na localidade tirolesa.

"Estes são apenas os primeiros casos, outros virão", revelou Kolba.

As ações legais baseiam-se no pressuposto de que as autoridades reagiram tarde demais - a estância de esqui ficou aberta durante vários dias após os primeiros casos terem sido supostamente confirmados.

Kolba também acusa o chanceler austríaco, Sebastian Kurz, de ter decretado uma quarentena repentina da área a 13 de março, levando a uma partida precipitada e mal organizada dos turistas.

O confinamento imposto no Tirol levou a que cerca de 10 mil turistas estrangeiros deixassem a Áustria, mas as autoridades apenas ficaram com os dados de 2.600.

"Se alguém, no Tirol, disser hoje especificamente quais os erros que foram cometidos, se pedir desculpas - sem ses e mas - e anunciar quantos milhões serão reservados para compensar os turistas em vez de construir novos teleféricos de esqui, esse seria um bom primeiro passo," disse Kolba, que não acredita, no entanto, que isso venha a acontecer.

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