Trump em guerra com republicanos promete derrotá-los nas urnas

Falhanço do projeto de lei de saúde abriu divisões que poderão prejudicar a agenda legislativa do presidente

Donald Trump declarou guerra aberta aos republicanos conservadores que ajudaram a meter na gaveta a legislação de saúde apoiada pelo presidente norte-americano e que tinha como objetivo concretizar uma das suas promessas de campanha: revogar e substituir o Obamacare.

Usando mais uma vez o Twitter, Trump ameaçou derrotar os elementos do Freedom Caucus - grupo de republicanos conservadores da Câmara dos Representantes - nas eleições intercalares do próximo ano para o Congresso se o continuarem a desafiar. "O Freedom Caucus vai prejudicar toda a agenda republicana se não fizerem parte da equipa & depressa. Devemos combatê-los & aos Democratas, em 2018!", escreveu o presidente norte-americano na quinta-feira de manhã.

Mas as ameaças não ficaram por aqui. Horas mais tarde, Trump usou a mesma rede social para identificar pelo nome três dos seus alvos dentro do grupo de congressistas republicanos conservadores - Mark Meadows, Jim Jordan e Raul Labrador - dizendo que se "tivessem alinhado connosco teríamos uma grande saúde e massivos cortes de impostos & reformas".

E o presidente dos Estados Unidos não ficou sem resposta. Labrador, um dos fundadores do Freedom Caucus, utilizou também o Twitter para pedir a Trump para se "lembrar quem são os seus verdadeiros amigos. Nós estamos a tentar ajudá-lo a ter sucesso". Justin Amash, outro elemento do mesmo grupo, e que já comparou a abordagem de Trump ao que uma criança faz quando quer "levar a sua avante", deixou um recado bem claro: "A maioria das pessoas não leva a bem ser intimidada".

A deterioração das relações entre Donald Trump e os republicanos conservadores poderá prejudicar a agenda legislativa da Casa Branca, nomeadamente a aprovação de fundos para a construção do muro na fronteira com o México, a revisão do código fiscal norte-americano e até voltar à reforma do sistema de saúde. O Freedom Caucus é composto por 32 dos 237 republicanos da Câmara dos Representantes, mas a sua influência pode angariar mais votos, o que leva Trump a não poder dar-se ao luxo de de perder o apoio de demasiados republicanos se quiser fazer aprovar leis como aquelas, que não terão o "sim" de nenhum democrata.

A discórdia entre Casa Branca e republicanos a propósito do falhanço do projeto de lei que pretendia substituir o Obamacare não se fica pela contenda entre Trump e o Freedom Caucus. A falta de sintonia nos últimos dias entre o presidente norte-americano e os líderes da Câmara dos Representantes, Paul Ryan, e do Senado, Mitch McConnell, tem sido notada.

Trump e os seus assessores já sugeriram um novo impulso para recuperar o projeto republicano para a saúde, uma ideia que foi recebida com abertura por Ryan, mas que McConnell considerou inútil. Ryan acabou por discordar também de Trump, quando este sugeriu trabalhar com os democratas na nova versão da legislação. "Não quero que isso aconteça", disse o líder da Câmara dos Representantes numa entrevista à CBS transmitida no final da semana.

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