Transportes lotados em Londres com regresso ao trabalho de milhares

Imagens e relatos de transporte públicos cheios esta quarta-feira em Londres de pessoas, muitas sem máscaras ou proteção para a cara, levaram um sindicato a criticar o governo britânico e a ameaçar com greve devido ao risco para os funcionários.

As restrições abrandaram no Reino Unido para possibilitar o regresso ao trabalho e os transportes públicos de Londres tiveram um dia de grande movimento. Imagens de comboios, metro e autocarros com lotação próxima dos máximos geram preocupação, já que as medidas de distanciamento social são impossíveis de cumprir. Os trabalhadores dos transportes públicos ameaçam parar.

O secretário-geral do sindicato RMT, Mick Cash, acusou o governo de precipitar o regresso ao emprego de trabalhadores esta semana, em que os transportes estão com serviço reduzido a 15%, em vez de esperar pela próxima semana, quando a capacidade deverá aumentar para 70%.

"Teria sido mais fácil aguentar com um aumento de passageiros", justificou, em declarações à estação Sky News.

Cash não afastou a possibilidade de greve se os trabalhadores dos transportes sentirem que não existe segurança no local de trabalho, exigindo equipamento de proteção.

Esta queixa surge após ter sido revelado que morreram 52 trabalhadores do setor dos transportes infetados com o novo coronavírus, incluindo Belly Mujinga, de 47 anos, que desenvolveu sintomas após ter sido cuspida na cara quando trabalhava numa estação de comboios em Londres.

Em Portugal, a concentração de pessoas que usam transportes públicos para ir para o trabalho também provocou um surto de covid-19 na Azambuja, onde se localizam várias plataformas logísticas de distribuição. Milhares de trabalhadores utilizam o comboio diariamente. "São demasiadas pessoas e o espaço é pouco", contou um trabalhador ao DN/Dinheiro Vivo. Já forma registados mais de 100 casos numa unidade de abate de aves.

Quando terminou o estado de emergência em Portugal, operadores de transportes como a Rodoviária e Transportes Sul do Tejo reforçaram as ligações antevendo maior afluência após o período de confinamento. Em Portugal é obrigatório usar máscara nos transportes públicos, sob pena e multas pesadas.

Na Inglaterra, o primeiro-ministro, Boris Johnson, anunciou no domingo um plano para o levantamento faseado do confinamento decretado em 23 de março, com uma primeira etapa a partir desta quarta-feira que inclui o regresso ao trabalho de pessoas que não o possam fazer de casa.

Na falta de alternativa aos transportes públicos, o governo apelou às pessoas para que usem de máscaras ou proteções para a cara, mas não é obrigatório, e também sugeriu que se virem de costas e evitem o contacto físico quando os transportes estiverem congestionados.

O ministro dos Transportes, Grant Shapps, pediu para que as pessoas sejam "sensatas e não inundem os transportes", vincando que tal põe em risco o plano para aliviar progressivamente o regime de confinamento.

"Se virmos o índice R [taxa de referência de contágio por cada pessoa infetada] voltar a subir, sobretudo acima de um, vamos ter de tomar providências. Todos sabemos o que isso significa, significa voltar a ficar em casa", avisou, em entrevista à BBC Radio 4.

A partir de hoje, o governo britânico levantou também as restrições sobre o exercício e passeios ao ar livre e passou a autorizar o encontro com uma pessoa de fora do agregado familiar, desde que seja a dois metros de distância, e outras atividades desportivas, como ténis, pesca e golfe, mas apenas em Inglaterra.

Os governos autónomos da Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte ainda não mudaram a mensagem geral para as pessoas ficarem em casa, embora tenham introduzido algumas alterações.

De acordo com a atualização dos dados feita hoje pelo ministério da Saúde, o Reino Unido registou até agora 33.186 mortes resultantes da pandemia covid-19, o balanço mais elevado na Europa e o segundo maior no mundo, atrás dos EUA.

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