Temos de erradicar o racismo de todas as nossas instituições

Artigo de opinião de Mike Adams e Allan Katz sobre os conflitos raciais nos Estados Unidos e as eleições presidenciais de novembro.

Os desafios aumentaram para as eleições presidenciais. Na sequência do assassinato de George Floyd, assistimos a uma revolta orgânica entre muitas pessoas neste país. A princípio lideradas por jovens afro-americanos, as ruas têm-se enchido de manifestantes, muitos dos quais brancos, na sua maioria jovens.

As manifestações que estão a acontecer obrigam muitos de nós, pessoas de boa vontade, a analisarmos mais atentivamente a forma como temos sido condicionados a desviar o olhar e a aceitar como normais as maneiras implacáveis como é fundamentalmente diferente ser-se Negro na América todos os dias da nossa vida.

Se o presidente Trump ganhar a reeleição, este exame e as ações subsequentes serão extintos. A ideia de que temos de erradicar o racismo das nossas instituições na América vai-se evaporar, e perderemos esta oportunidade de começarmos verdadeiramente uma correção de rumo na sociedade americana. Não podemos deixar o debate político destas eleições ser desviado dos grandes desafios que a América enfrenta atualmente.

Parte da energia deste período de protesto e despertar tem sido dirigida para a remoção de símbolos que glorificam o racismo que tem sido parte do nosso país desde antes da sua fundação. As estátuas de generais confederados erguidas no século XX erguem-se como testemunho da adoração de um tempo em que a escravatura estava presente e aqueles que lutaram para a defender eram considerados dignos de honras.

As nossas instalações militares receberam os nomes desses mesmos homens que traíram o seu país para preservar uma ordem que tratava seres humanos como propriedade. Finalmente, esses nomes serão removidos, em breve já não falaremos de um Fort Benning ou de um Fort Dix. Pensemos nisto - ficaríamos horrorizados se os alemães erigissem monumentos ou bases militares honrando líderes nazis.

Isto não é diferente.

Por outro lado, escolhemos honrar outros que fizeram muitas coisas nobres pelo seu país, apesar de se comportarem vergonhosamente no que respeita à raça.

Não estamos prontos para vermos o Monticello de Jefferson ou o Mount Vernon de Washington destruídos. Estes homens desempenharam um papel vital na criação do nosso país e, embora os seus pecados devam ser tornados públicos, eles são diferentes dos líderes confederados e não reconhecer as suas contribuições serve apenas para alienar os americanos que, de outro modo, concordariam connosco.

Nós precisamos de não fazer o jogo de pessoas que apoiam o status quo. Ao contrário do que o presidente disse, não estamos a insistir no "politicamente correto" quando encaramos o racismo de frente e usamos esse termo para o descrever. Não é ser-se politicamente correto insistir para que os insultos racistas e étnicos sejam removidos da nossa vida quotidiana. Podemos, e devemos, insistir para que este momento não seja desperdiçado.

A maioria dos americanos, ao ser forçada a encarar a tragédia de George Floyd e de muitos outros, apercebeu-se de que estes acontecimentos não são invulgares e isolados. Nós estamos chocados com isto e queremos trabalhar para que este comportamento não seja aceitável em nenhum lugar deste país.

Receamos que o presidente vá tentar roubar este momento e deturpar a realidade que a maioria de nós vê. A única maneira de os Democratas perderem estas eleições é ficarem presos no abismo de uma definição extremada e tonta do politicamente correto, que a grande maioria dos americanos de todas as cores rejeita.

Devemos saber distinguir as diferenças entre Stonewall Jackson e Ulysses S. Grant.

Está certo dizer que Winston Churchill era um colonizador assumido, mas ignorar a sua valiosa união do povo britânico contra a Alemanha nazi é um revisionismo histórico sem sentido.

Os democratas não podem cair na armadilha de que a merecida indignação das pessoas lhes permita definir arrogantemente os outros como racistas ou sexistas na totalidade das suas vidas, baseadas em afirmações que possam estar retiradas do contexto. Se formos forçados a autocensurar qualquer conversa relacionada com raça, género ou capacidade física, podemos silenciar as próprias conversas destinadas a elevar a nossa consciência.

Estas eleições são acerca de remover um presidente que é uma ameaça interna existencial aos valores fundamentais do nosso país. O arco moral do nosso país está pronto para se autocorrigir.

Não deixem que o custo de procurar a perfeição se torne inimigo do bom.

Mike Abrams é antigo presidente do Partido Democrático de Dade, antigo legislador do estado e, atualmente, conselheiro político da Ballard Partners.
Allan Katz foi nomeado embaixador em Portugal pelo Presidente Obama em 2009. Atualmente é um distinto professor residente no William Jewell College.

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