"Só uma terapia de choque pode colocar Moçambique numa situação de justiça básica"

Dez anos depois, o apelido Dhlakama voltará a surgir nas candidaturas à presidência de Moçambique, precisamente em 2024. Afonso Dhlakama foi um histórico da política deste país e um dos fundadores da RENAMO, a atual oposição a Filipe Nyusi. Agora, contudo, e após a sua morte, em 2018, é o seu filho Henriques Afonso Dhlakama que irá avançar para as presidenciais.

Henriques Afonso Dhlakama nasceu a 22 de Outubro de 1987, na mesma localidade de nascimento de seu pai, concretamente em Mangunde, Chibabava. Passando parte da sua infância em Moçambique, seu pai decidiu enviá-lo para Portugal, onde estudou, e de onde intermitentemente ia regressando a Moçambique, acompanhando os seus pais em deslocações oficiais. Em 2012, contudo, regressa em definitivo a Moçambique, passando a residir em Maputo. Agora, oito anos depois, avança para uma candidatura à Presidência e nesta entrevista revela algumas das razões para esta tomada de decisão.

Qual o principal problema que identifica atualmente em Moçambique e que soluções aponta para o resolver?

Moçambique já não tem um principal problema. Aliás, os problemas de Moçambique são já tão vastos e profundos, que só uma terapia de choque pode colocar o país numa situação de justiça básica. Quem vive em Moçambique sabe do que falo e não há um cidadão que não chegue ao fim do dia sem ver um direito seu não satisfeito. Estamos a preparar um documento vasto e profundo, com a colaboração de várias equipas especializadas por áreas, para apontar os problemas mais graves e as linhas de orientação que seguiremos caso ganhe as eleições Presidenciais. É um documento a apresentar na altura adequada. Assim, esta é também a razão de lançar a minha candidatura com tanta antecedência, designadamente o dar tempo aos moçambicanos para pensarem bem no que vão fazer e na importância da decisão que irão tomar em 2024.

Se o seu pai fosse vivo, como pensa que Afonso Dhlakama olharia para o estado do país pelo qual tanto combateu?

Não sou presunçoso ao ponto de dizer que o sei. Mas o que é facto, é que tenho a minha opinião e é por ela que também vou lutar. Não é por este caminho e estas escolhas que o meu pai lutou uma vida inteira e pelo qual tantos milhares de pessoas deram a vida.

Leia mais em Plataformamedia

Mais Notícias