Senador do PT quer eleições antecipadas no Brasil

Lindberg Farias afirmou que "amplos setores" do PT já defendem esta opção e que apenas Dilma pode convocar eleições

O senador brasileiro Lindberg Farias (PT) admitiu hoje a possibilidade de a Presidente com mandato suspenso, Dilma Rousseff, convocar eleições antecipadas no Brasil. Uma forma de "mostrar quão ilegítimo" é o Governo do Presidente interino Michel Temer.

"Os mais diversos partidos começam a discutir, para mostrar o quão ilegítimo é este Governo, a possibilidade de eleições diretas para que o povo seja chamado a tomar uma decisão", afirmou o senador do Partido dos Trabalhadores (PT), no parlamento português, na apresentação de uma declaração de parlamentares de esquerda da Assembleia Parlamentar Euro-Latino-Americana (Eurolat), que hoje terminou em Lisboa.

Lindberg Farias afirmou que "amplos setores" do PT já defendem esta opção, tal como o Partido Comunista do Brasil, e que Dilma Rousseff e o seu antecessor, Lula da Silva (PT), veem esta hipótese "com simpatia".

O mandato de Dilma Rousseff termina no final de 2018, mas a Presidente está suspensa do cargo desde quinta-feira passada e por um período até seis meses, por suspeitas de irregularidades orçamentais.

A convocação de eleições, esclareceu o senador, apenas pode ser feita pela Presidente, porque "é um mandato seu".

"É uma forma de acentuarmos a ilegitimidade do governo", disse Farias, que acrescentou que já há estudos de opinião que mostram que, entre novas eleições e a continuação do Governo de Temer - vice-Presidente de Dilma -, o resultado é "de 90 contra 10".

O executivo liderado por Temer é "um governo muito ilegítimo e que tem um plano muito radical de retirada de direitos dos trabalhadores".

O senador acusou Temer de querer "restaurar o neoliberalismo".

"É o maior programa de retirada de direitos de trabalhadores da história do país, estão a querer atacar a política de valorização do salário mínimo, reforma da previdência, privatização indiscriminada. Nunca um Presidente seria eleito com um programa tão antipopular, só num golpe como este", sublinhou, referindo que o novo executivo já está a ser alvo de forte contestação popular.

O político brasileiro salientou que a Presidente não cometeu "um crime de responsabilidade" - condição para a destituição -, e considerou que as chamadas "pedaladas fiscais" são "detalhes técnicos que todos os governadores e presidentes fizeram e que não são ilegais".

"A Presidente foi afastada sem acusação de corrupção, todos concordam que é uma mulher honrada e honesta", destacou.

Lindberg Faria propôs ainda a criação de um tribunal internacional de acompanhamento do julgamento de Dilma Rousseff, uma sugestão que diz ter partido do sociólogo português Boaventura Sousa Santos e que terá personalidades de vários países.

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