Secretário de Estado britânico Alan Duncan demite-se contra Boris Johnson

Alan Duncan, secretário de Estado britânico para a Europa e as Américas, apresentou a demissão. Já no domingo, os ministros britânicos das Finanças e da Justiça pré-anunciaram a sua demissão caso Boris Johnson se torne primeiro-ministro.

Crítico de Boris Johnson, que poderá substituir Theresa May e assumir o cargo de primeiro-ministro britânico, o secretário de Estado para a Europa e as Américas apresentou esta segunda-feira a demissão, avança a imprensa britânica. Alan Duncan é contra a saída do Reino Unido da União Europeia sem acordo, o chamado Brexit "no deal", defendido por Johnson, por considerar que seria uma verdadeira catástrofe para a economia.

"O Reino Unido faz tantas coisas boas no mundo. É trágico que justamente quando poderíamos ter sido a força intelectual e política dominante em toda a Europa e mais além, tenhamos tido de passar todos os dias a trabalhar sob a nuvem negra do 'Brexit'", lamentou, na carta de demissão publicada na rede social Twitter.

O Secretário de Estado demissionário criticou recentemente o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros, Boris Johnson, ao afirmar que seria "a última pessoa na terra que poderia fazer progressos nas negociações com a União europeia", refere a BBC. Duncan também criticou Johnson por não ter apoiado Kim Darroch, antigo embaixador britânico nos EUA, que se demitiu depois das críticas que fez à administração Trump que foram notícia após a divulgação de documentos confidenciais.

Outros ministros ameaçam demitir-se caso Johnson se torne o novo primeiro-ministro

Esta não deverá ser a única baixa do governo britânico.

Já no domingo, os ministros britânicos das Finanças, Philip Hammond, e da Justiça, David Gauke, pré-anunciaram a sua demissão caso Boris Johnson se torne primeiro-ministro ao vencer a corrida para a liderança do Partido Conservador.

"Supondo que Boris Johnson se torna o próximo primeiro-ministro, compreendo que as suas condições para servir o seu governo incluiriam a aceitação de uma saída [do Reino Unido da UE] sem acordo a 31 de outubro e isso não é algo a que eu possa alguma vez aderir", frisou o titular das Finanças, Philip Hammond, à BBC.

Na semana passada, Margot James deixou as funções de secretária de Estado da Cultura após ter contrariado a orientação do voto do governo e apoiado uma monção no parlamento para dificultar a suspensão do parlamento em outubro, uma hipótese que Johnson não descartou como via para forçar um 'Brexit' sem acordo.

O The Sun noticiou na semana passada que mais de 12 de membros do governo poderão demitir-se se Boris Johnson ganhar a eleição interna para a liderança do partido Conservador, na qual é considerado o favorito, contra o atual ministro dos Negócios Estrangeiros, Jeremy Hunt.

Os cerca de 160 mil militantes do partido têm até às 16:00 (mesma hora em Lisboa) para fazer chegar o voto postal, após o que será iniciado o processo de contagem dos boletins.

O nome do vencedor será anunciado na terça-feira de manhã, mas só deverá assumir as funções de primeiro-ministro após a demissão formal de Theresa May, na tarde de quarta-feira.

Boris Johnson foi um dos principais apoiantes do Brexit no referendo de 2016 e não exclui uma saída da UE sem acordo a 31 de outubro, a data agora estabelecida para os britânicos abandonarem a União Europeia, enquanto Jeremy Hunt, ministro dos Negócios Estrangeiros e candidato à liderança dos Conservadores, defende um acordo de saída.

Theresa May renunciou à liderança do Partido Conservador a 7 de junho, depois de fracassarem as suas várias tentativas de fazer aprovar o acordo de saída que concluiu com Bruxelas em novembro, continuando como chefe de governo até a eleição do sucessor.

Com Lusa.

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