Sánchez acusa extrema-direita de semear a discórdia e o ódio

Moção de censura do Vox, que é votada esta quinta-feira, está condenada ao fracasso por não ter apoios suficientes, mas o PP ainda não indicou se votará contra ou se vai abster.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, acusou esta quarta-feira o partido de extrema-direita Vox e o seu líder, Santiago Abascal, de terem apresentado uma moção de censura com a única intenção de "semear a discórdia e o ódio entre os espanhóis ".

Na sua primeira intervenção no debate sobre a moção de censura que será votada na quinta-feira, Sánchez defendeu que a iniciativa apenas serve para "promover a propaganda" da extrema-direita, provocar o "confronto" e "gastar as energias" que deveriam ser dedicadas à resolução dos problemas do país.

O primeiro-ministro criticou que durante a sua intervenção, Abascal não tenha dito mais nada que não fosse "insultos" e "desqualificações", sem que tenha sido feito "uma única proposta".

O Congresso espanhol iniciou esta manhã o debate de uma moção de censura ao Governo apresentada pelo Vox que se sabe à partida que está condenada ao fracasso, por falta do apoio de outras forças políticas.

Sánchez salientou que a Espanha que o Vox defende e afirma representar "nega" a Espanha "diversa", moderna e europeísta que o executivo defende.

Abascal tinha considerado que o atual Governo minoritário de esquerda é "pior" do que o antigo executivo fascista liderado por Francisco Franco. "Trata-se do pior governo dos últimos 80 anos", disse Santiago Abascal, acrescentando que o atual executivo liderado pelo socialista Pedro Sánchez é "uma frente popular que governa com terroristas e com separatistas".

O líder de extrema-direita considerou que o atual executivo minoritário formado pelo Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) e o Unidas Podemos (extrema-esquerda) é "uma máfia" e criticou a forma como está a gerir a luta contra a pandemia de covid-19.

A moção de censura será votada na quinta-feira e só deverá ter o apoio dos 82 parlamentares do Vox, um número insuficiente e longe da maioria absoluta necessária de 176 votos num total de 350 membros do Congresso dos Deputados (câmara baixa das Cortes).

A moção de censura coloca numa situação delicada a maior formação de direita da oposição, o Partido Popular (PP) que não vai apoiar a iniciativa, mas ainda não esclareceu se o seu voto será uma abstenção ou um "não".

O dilema do PP tem a ver com a forma como vai satisfazer o seu eleitorado, que também é muito crítico em relação ao Governo minoritário de esquerda, formado pelo PSOE e o Unidas Podemos, sem que o Vox apareça destacado a liderar a oposição de direita.

Pedro Sánchez pediu ao PP para votar "não" à moção apresentada pelo Vox, de forma a que este partido "corte" definitivamente com a extrema-direita.

O chefe do Governo dirigiu-se diretamente ao líder do PP, Pablo Casado, para o avisar de que "não é o beneficiário", mas sim "o alvo" da moção de censura, e insistiu que devia rejeitar a iniciativa.

Abascal disse que, se a moção de censura passasse (e ele assumisse a chefia do governo), convocaria de imediato eleições. "É urgente que os espanhóis sejam chamados às urnas", indicou.

No atual parlamento, o PSOE tem 120 deputados, seguido pelo PP com 88, o Vox com 52, o Unidas Podemos com 35 e o Cidadãos (direita liberal) com 10, para só citar algumas formações.

Durante o debate, na réplica à intervenção do Bildu (independentistas bascos), Abascal leu o nome de todas as vítimas do grupo terrorista basco ETA, com os deputados do seu partido de pé no hemiciclo.

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