Salvini vai ser julgado por sequestro de migrantes

Senado italiano confirma levantamento de imunidade decidido pelo Parlamento. O crime pelo qual o líder da Liga poderá agora ser julgado é punível com pena de até 15 anos de prisão e proibição de ocupar cargos públicos.

Matteo Salvini, ex-vice-primeiro-ministro e ex-ministro do Interior, vai ser julgado por abuso de poder e por ter detido de forma ilegal migrantes no mar, decidiram os senadores numa votação a favor da retirada da sua imunidade parlamentar.

Salvini é acusado pela justiça da Catania (Sicília) de "abuso de poder e sequestro de pessoas", um crime punível com pena de até 15 anos de prisão e que o impediria de ocupar cargos públicos. Antes da decisão do Senado, Salvini afirmou: "Se tiver de haver um julgamento, que assim seja. Não irei para me defender, mas para reivindicar com orgulho o que fizemos coletivamente por Itália."

Em julho do ano passado, Salvini impediu que 131 imigrantes, a bordo de um navio da Guarda Costeira. desembarcassem em Itália durante quase uma semana. Então ministro do Interior de um governo formado pela Liga e pelo antissistema Movimento 5 Estrelas (M5E), Salvini esperava, com essa medida, que os outros países europeus partilhassem o fardo migratório.

Em junho de 2019, após um ano no poder, Salvini fortaleceu os seus poderes após obter a aprovação de uma lei que o autorizava a limitar e até a impedir o trânsito de embarcações em águas italianas.

Em agosto de 2019, pouco antes da crise do governo, Salvini bloqueou o navio humanitário Open Arms durante duas semanas, em frente à ilha siciliana de Lampedusa. O caso acabou com a capitã Carola Rackete a furar o bloqueio, pelo que colidiu com um navio patrulha e por fim atracado, pelo que a ativista alemã foi detida.

No próximo 27 de fevereiro, uma comissão do Senado também deverá decidir sobre a abertura de um julgamento nesse caso. Segundo a legislação italiana, o ex-ministro será julgado por um tribunal especial, mas o julgamento poderá demorar anos.

Salvini aspira a regressar ao poder, desta vez sem parceiro de coligação, ou coligando-se com os Irmãos de Itália, partido do seu campo político e que está em crescimento nas sondagens (13%). A mais recente sondagem coloca a Liga em primeiro lugar, com 28%, seguido dos partidos da coligação, Partido Democrático (20%) e M5E (15%).

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