Reino Unido começa a vacinar para a semana residentes em lares, idosos e profissionais de saúde

"Os cientistas finalmente conseguiram", celebrou Boris Johnson no anúncio do plano de vacinação em Inglaterra, o primeiro país do mundo a avançar com a vacinação em massa. Mas, alertou o PM britânico, "não devemos encarar isto com otimismo exagerado", pois o vírus ainda não acabou

É já para a semana. O Reino Unido vai tornar-se no primeiro país do mundo a começar a vacinar a população contra a covid-19. O plano de vacinação foi esta quarta-feira apresentado, em Londres, pelo primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, depois da aprovação da Agência Reguladora de Saúde e Produtos Médicos como medida de "emergência". Anúncio foi feito no dia em que o Reino Unido reportou 648 mortes - o número mais alto da segunda vaga - e mais 16 170 casos diários do novo coronavírus.

Trata-se da vacina da Pfizer-BioNTech, que tem revelado 95% de eficácia nos testes. Para o primeiro-ministro britânico, apesar de se dever celebrar este "feito científico" que é a vacina, quase um ano depois da "humanidade ter sido abalada com a covid-19", é importante que não se interprete a vacinação com "otimismo exagerado", nem deixar que isso leve a "crenças ingénuas" de que o vírus tem os dias contados.

"Não acabou, temos de manter o nosso plano de inverno para suprimir o vírus, proteger o serviço nacional de saúde, os mais vulneráveis e manter a educação e a economia", avisou o governante, garantindo ainda que o serviço nacional de saúde está a preparar-se para o "maior programa de vacinação massiva da história do Reino Unido".

O procedimento está limitado ao Reino Unido, uma vez que a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) só no dia 29 de dezembro "o mais tardar" dará (ou não), luz verde à comercialização da vacina contra o covid-19 da Pfizer-BioNTech. Esta é aliás uma das cinco vacinas comprada pela União Europeia - Moderna, AstraZeneca, Johnson & Johnson, Sanofi-GSK e CureVac são as outras quatro - e uma das que Portugal vai receber no dia 1 de janeiro.

Os primeiros a receber a vacina serão os trabalhadores e residentes em lares, os mais velhos, com mais de 80 anos, os profissionais de saúde e os doentes críticos. Cada pessoa precisa de duas doses, sendo que a segunda tem de ser administrada três semanas (21 dias) após a primeira.

Por isso "vão ser precisos meses para todos os grupos de riscos serem vacinados", avisou Boris Johnson, congratulando os investigadores: "Os cientistas finalmente conseguiram. Eles usaram o próprio vírus para realizar uma espécie de jiu-jitsu biológico, para transformar o vírus numa arma contra si mesmo sob forma de uma vacina."

Transporte complexo: Vacina tem de ser transportada a 70 graus negativos

Simon Stevens, presidente do serviço nacional de saúde (NHS) britânico explicou a complicada logística de transporte do medicamento. "A vacina que foi aprovada para o NHS, a Pfizer-BioNTech, demonstrou ser medicamente segura, mas é logisticamente complicada. Temos de a transportar pelo país com muito cuidado e de forma refrigerada, a 70 graus negativos, além disso há um número limitado de movimentos adicionais que o regulador permite que façamos", explicou o Stevens, revelando que isso impedirá que se siga o modelo habitual de distribuição. "A entrega é faseada e por isso na próxima semana cerca de 50 centros hospitalares em toda a Inglaterra começarão a oferecer a vacina para pessoas com mais de 80 anos e para as equipas de lares e similares", disse o presidente do NHS.

Com uma encomenda britânica de 40 milhões de vacinas, a Pfizer vai enviar cerca de 800 mil vacinas de imediato. No entanto o governo britânico espera dez milhões de doses até ao final do ano, o que significa que cinco milhões de pessoas podem ser vacinadas até 1 de janeiro de 2021, uma vez que são necessárias duas doses com intervalo de três semanas para obter resultados.

A luz verde das autoridades do Reino Unido "segue-se a meses de testes clínicos rigorosos e extensa análise de dados por especialistas da MHRA que concluíram que a vacina atendeu aos padrões estritos de segurança, qualidade e eficácia", segundo o porta-voz do ministério da Saúde britânico. Os resultados dos testes em grande escala da vacina da Pfizer e a BioNTech mostraram 95% de eficácia e tiveram permissão para o uso de emergência da sua vacina contra a covid-19 no Reino Unido.

Para mostrar que a vacinação é segura, Boris Johnson foi persuadido a dar o exemplo e vacinar-se em frente às câmaras.

Problema sazonal vs regresso à normalidade na primavera

Já Jonathan Van-Tam, professor e subdirector-geral da Saúde de Inglaterra​, alertou para o facto de ainda não se saber quão bem sucedida pode ser a vacina da Pfizer-BioNTech: "Além de impedir que as pessoas sejam infetadas, também impedirá que as pessoas tenham que ir para o hospital. Isso é importante."

Mas, se, para o subdirector-geral da Saúde jamais se irá erradicar o coronavírus, embora se possa fazer dele um "problema sazonal", para Boris Johnson não é bem assim. O primeiro-ministro britânico tem "grandes esperanças de que a vacina faça uma grande diferença" na maneira como as pessoas vão viver daqui para a frente e apontou "a próxima primavera" como a época do regresso à normalidade.

Os reguladores britânicos também estão a considerar outra vacina feita pela AstraZeneca e pela Universidade de Oxford, que revelou uma taxa de eficácia na ordem dos 70%.

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