Reforço de multas, teletrabalho e fecho de pubs às 22.00. As novas restrições no Reino Unido

Johnson vai reunir-se nesta terça-feira com o seu gabinete de crise, falando depois à nação para explicar as novas medidas de contenção da pandemia.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, vai ordenar o fecho de pubs, bares e restaurantes em Inglaterra às 22.00 a partir da próxima quinta-feira, para tentar travar o crescimento de novos casos de covid-19, adiantou nesta segunda-feira a Efe.

Johnson vai reunir-se nesta terça-feira com o seu gabinete de crise, do qual fazem parte os seus principais ministros e os chefes dos governos regionais do Reino Unido, falando a seguir à nação para explicar as novas medidas de contenção da pandemia, prevendo-se que fale pelas 20.00 locais (a mesma hora em Lisboa), segundo revelou Downing Street, a residência oficial do primeiro-ministro britânico.

Perante o avanço da pandemia, o executivo britânico elevou o grau de alerta do terceiro para o quarto nível, numa escala de cinco, o que reflete um "alto risco de transmissão" e a necessidade de medidas de distanciamento social.

Além de impor um encerramento mais cedo dos estabelecimentos, as novas restrições vão impedir o consumo ao balcão, ficando o serviço restringido às mesas. Também não serão permitidas reservas de mesa para mais de seis pessoas.

Do teletrabalho ao reforço das multas

Já nesta terça-feira, o secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro britânico, Michael Gove, apelou aos britânicos para trabalharem em casa "se puderem", de forma a minimizar aglomerados sociais.

Durante o programa Today da BBC Radio 4, Gove disse que o país não estava a voltar ao tipo de medidas que estavam em vigor durante a primavera, mas ainda assim pediu para que se trabalhe a partir de casa na medida do possível.

Por outro lado, os planos para o regresso do público aos estádios em Inglaterra, que estava previsto a partir de 1 de outubro, foram interrompidos.

Outra das medidas obriga hóteis a ficar com os contactos dos clientes para facilitar o rastreamento quando se verificam casos positivos.

O limite de convidados para casamentos vai ser reduzido de 30 para 15 e os desportos coletivos indoor com mais de seis pessoas não serão permitidos.

As multas também vão aumentar. Quem não usar máscara ou não cumprir a regra do máximo de seis pessoas por ajuntamento vai ser penalizado em 200 libras (218 euros). E as coimas de 10 mil libras (10 900 euros) para quem não cumprir quarentena também vão ser aplicadas a empresas.

Boris Johnson, que discursou nesta terça-feira na Câmara dos Comuns (Parlamento), insistiu, no seu discurso, na necessidade de continuar a cumprir as atuais diretrizes sobre distanciamento social, higiene e uso de máscara, e admitiu que as novas restrições poderão ficar em vigor durante seis meses.

"Ninguém subestima o desafio que as medidas representam para muitas pessoas e empresas. Sabemos que não será fácil, mas devemos tomar mais medidas para controlar o ressurgimento de casos de coronavírus e proteger o Serviço Nacional de Saúde (NHS, na sigla inglesa)", disse um porta-voz de Downing Street em comunicado.

Desde a semana passada que estão proibidas em Inglaterra reuniões sociais com mais de seis pessoas, tanto no interior como no exterior.

As novas medidas surgem depois de os especialistas que assessoram o Governo terem avisado de que o Reino Unido pode atingir os 50 mil contágios diários a meio de outubro se não forem dados passos concretos para travar a transmissão.

O número de doentes está a duplicar a cada semana, mas sem restrições adicionais a velocidade de propagação continuará a acelerar nas próximas semanas, alertaram os especialistas.

O Reino Unido registou nesta segunda-feira 4368 novos casos do novo coronavírus e 11 mortes. Desde o início da pandemia já morreram 41 788 pessoas.

Os especialistas admitem que o número de mortes diárias possa chegar a 200 se não se inverter a atual tendência.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 961 mil mortos no mundo desde dezembro do ano passado.

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