Presidente da Coreia do Sul pede desculpas por não ter protegido homem morto no Norte

Moon Jae-in lamenta assassínio de um homem atingido a tiro por militares norte-coreanos na semana passada

O Presidente sul-coreano, Moon Jae-in, pediu esta segunda-feira desculpas pelo assassínio de um homem atingido a tiro por militares norte-coreanos na semana passada, afirmando que o seu Governo falhou a responsabilidade de proteger um cidadão.

O incidente gerou indignação e críticas por, alegadamente, Seul ter demorado horas para resgatar o oficial sul-coreano que estava à deriva em águas norte-coreanas antes da sua morte, na terça-feira passada.

Apesar de o assassínio a tiro ter sido seguido por um raro pedido de desculpas do líder norte-coreano Kim Jong Un, a Coreia do Norte acabou por passar a culpa pelo incidente para o próprio homem que foi morto, alegando que se recusou a responder às perguntas e tentou fugir obrigando os militares norte-coreanos a disparar.

No domingo, a Coreia do Norte acusou o Sul de enviar embarcações através de sua disputada fronteira marítima ocidental à procura dos restos mortais do homem, alertando que a intrusão podia aumentar as tensões.

Os militares e a guarda costeira da Coreia do Sul insistem que têm feito buscas apenas nas águas ao sul da fronteira.

Moon enviou as suas "profundas condolências" aos familiares enlutados e pediu desculpas a um público "chocado e enfurecido", afirmando que o Governo é responsável por proteger a segurança dos seus cidadãos.

O Presidente sul-coreano afirmou ainda que o pedido de desculpas de Kim mostra que o líder norte-coreano quer muito evitar um colapso das relações bilaterais por causa do incidente e pediu que o Norte retome o diálogo e reponha os canais de comunicação militar que Pyongyang cortou em junho.

O Norte suspendeu virtualmente toda a cooperação e diplomacia entre as Coreias durante um impasse nas negociações com a administração Trump, que falharam devido a desacordos relativamente à troca do levantamento de sanções por desarmamento.

O Sul propôs uma investigação conjunta com o Norte para investigar o tiroteio da semana passada.

"A nossa esperança é que este trágico incidente não termine apenas como um (trágico) incidente e, em vez disso, crie espaço para diálogo e cooperação, tornando-se uma oportunidade para desenvolver as relações Sul-Norte", disse Moon.

Moon recebeu várias críticas, incluindo de deputados conservadores, acusando-o de inércia quando militares revelaram que o homem tinha sido visto em águas norte-coreanas cerca de seis horas antes de ser morto.

O Ministério da Defesa da Coreia do Sul disse que era difícil estabelecer comunicação com o Norte por causa dos canais cortados e que as autoridades precisavam de tempo para analisar as informações e determinar o que o Norte faria ao homem.

Segundo Seul, Kim enviou uma mensagem à Coreia do Sul em que se mostrava "muito arrependido" por aquilo descreveu como um "incidente inesperado e infeliz".

O homem era um funcionário de 47 anos da agência marítima da Coreia do Sul, que foi dado como desaparecido durante um serviço num barco de pesca, perto da ilha de Yeonpyeong, que fica na zona fechada da fronteira marítima.

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