Polícia suspeita de um ex-deputado no caso Marielle

Domingos Brazão, atual conselheiro do tribunal de contas, já tinha sido investigado no caso por supostamente ter comprado uma testemunha. Agora foi citado em relatórios oficiais como eventual mandante do crime. Ele nega.

Domingos Brazão, de 54 anos, ex-deputado estadual pelo MDB e atual conselheiro do tribunal de contas do Rio de Janeiro, é suspeito de ter mandado matar Marielle Franco, em março do ano passado, numa ação que vitimou ainda o motorista Anderson Gomes. O nome do político e empresário no ramo dos postos de gasolina é citado em dois trechos do inquérito da polícia federal sobre o crime, noticiou o portal UOL. No dia 21 de fevereiro, agentes cumpriram mandado de busca e apreensão em moradas associadas a Brazão, que nega qualquer envolvimento no caso.

Brazão já havia sido envolvido nas investigações numa fase anterior por, supostamente, ter pago a uma testemunha, o ex-polícia Ricardo Ferreira, para acusar Marcelo Siciliano, deputado estadual pelo PHS e seu adversário político numa zona do Rio dominada por milícias, e Orlando da Curicica, um miliciano rival de Ferreira, respetivamente como mandante e autor material do atentado. Na ocasião, em junho do ano passado, Brazão chegou mesmo a ser ouvido pela polícia.

Ao longo da sua carreira política no MDB, o partido de que Ronnie Lessa, acusado dos disparos, foi militante de 1999 a 2010, Brazão teve problemas com os tribunais. O mais grave deles em 2017, quando foi detido no âmbito da Operação Quinto do Ouro, em que quatro conselheiros do tribunal de contas do Rio de Janeiro foram acusados de não fiscalizar obras e de desvio de verbas públicas.

Em 2008, Brazão foi citado durante a comissão parlamentar de inquérito, liderada pelo hoje deputado federal Marcelo Freixo, do PSOL, padrinho político de Marielle. Freixo, aliás, segundo a revista Veja, teve reunião com delegados da polícia do Rio sobre eventual ligação de Brazão ao crime.

O MDB, um dos maiores e mais influentes partidos do Brasil, tem nos seus quadros Michel Temer, ex-presidente detido esta quinta-feira no âmbito da operação Lava-Jato, e vem dominando a política carioca - os dois últimos governadores, Sergio Cabral e Luiz Fernando Pezão pertencem ao partido e estão ambos presos.

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