Plano de Puigdemont comparado a "espetáculo na Eurodisney"

Ciudadanos, PSC e PP criticam proposta de criação de um Conselho da República. Até os independentistas estão divididos em relação à proposta do ex-presidente da Generalitat

"Se ele quer ir dar espetáculo em Bruxelas ou na Eurodisney para ser declarado presidente, príncipe ou rei pelos seus, sem problema, mas no mundo real o presidente será investido no Parlamento e de acordo com a lei." Foi desta forma que a líder do Ciudadanos na Catalunha, Inés Arrimadas, reagiu à ideia de Carles Puigdemont de criar um Conselho da República, do qual seria eleito presidente na capital belga no dia 18 de fevereiro. Os socialistas falam num "prémio de consolação" para o ex-presidente da Generalitat, enquanto o Partido Popular apelida o plano de "palhaçada".

O plano de Puigdemont, que também gera dúvidas entre os independentistas, prevê a apresentação (ainda hoje ou amanhã se for para a frente) de uma proposta de resolução no Parlamento catalão de "reconhecimento restitutivo do presidente Puigdemont e invocação do 1 e do 27 de outubro" - o dia do referendo e o dia da declaração unilateral de independência. O passo seguinte seria uma reforma da Lei da Presidência que permitisse a investidura à distância (algo que o Tribunal Constitucional já recusou), por pesar sobre si um mandado de detenção em Espanha. A lei seria modificada através da leitura única, procedimento que foi usado a 6 e 7 de setembro para aprovar a Lei do Referendo . Isso permitiria que a investidura fosse a 15 de fevereiro.

Contudo, Puigdemont admite que tal possa não ser possível e avança com um segundo plano, em que não se pede a investidura à distância. Seria então convocada a Assembleia de Eleitos, com Puigdemont a ser investido "presidente do Conselho da República" em Bruxelas, num ato a 18 de fevereiro. Três ou quatro dias depois haveria uma investidura no Parlamento. Mais uma vez, caso não fosse possível à distância, avançaria outro deputado do Junts per Catalunya para se tornar presidente da Generalitat.

A ideia de um presidente simbólico foi avançada por Oriol Junqueras, o líder da Esquerda Republicana da Catalunha (ERC) que está detido em Madrid. A ideia seria Puigdemont ser esse presidente em Bruxelas. Contudo, no seu plano, o "simbólico" é quem ficar em Barcelona, que se limitaria a seguir o decidido pelo Conselho da República.

A ERC tem dúvidas sobre se será possível avançar neste sentido, lembrando que o Tribunal Constitucional atuaria de imediato e quer um governo viável e que permita acabar com a aplicação do artigo 155.º da Constituição (que suspende a autonomia). O Junts per Catalunya mostra-se confiante num acordo em breve. Já a Candidatura de Unidade Popular (CUP) admitiu pela primeira vez investir outra pessoa que não Puigdemont: "Isto não se trata de pessoas", disse a porta-voz Núria Gibert.

Quem não poupa críticas são os partidos não independentistas. "Não podemos pôr o Parlamento ao serviço de um foragido que nem sequer vem dar a cara", disse Arrimadas, além de falar da Eurodisney.

"Acho que vão tentar pôr em cena algum tipo de prémio de consolação para Puigdemont que só vai ser real na sua própria cabeça", indicou o líder dos socialistas catalães, Miquel Iceta. Em declarações à TVE, o secretário-geral lembrou que "talvez no primeiro dia lhe montem uma cerimónia muito simbólica, mas irá perdendo importância" à medida que passe o tempo, porque o único presidente legítimo será o investido no Parlamento.

Já Xavier García Albiol, do PPcatalão, explicou que a investidura com uma "assembleia paralela" implicaria "retirar competências ao Parlamento da Catalunha", classificando tudo como uma "solene palhaçada". Daí que tenha apelado a Roger Torrent, o presidente desse Parlamento, para que "desautorize esta proposta tão antidemocrática" que "significa mais um passo no descrédito das instituições catalãs". Segundo Albiol, esta "surrealista" assembleia aproximaria a Catalunha do "modelo de gestão de Nicolás Maduro na Venezuela". Torrent, da ERC, vai hoje visitar os quatro líderes independentistas detidos em Madrid.

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