OMS. "Podemos estar cansados da covid-19. Mas ela não se cansou de nós"

Tedros Adhanom Ghebreyesus pediu à comunidade internacional que "não se fechem os olhos" à pandemia da covid-19

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, pediu esta segunda-feira à comunidade internacional que "não se fechem os olhos" à pandemia da covid-19, mesmo que o mundo esteja "cansado" do vírus.

No seu discurso de abertura na assembleia geral anual da OMS, que está a ser acontecer online durante esta semana, Tedros pediu à comunidade internacional que "recupere com urgência o senso do bem comum".

"Com esse espírito, congratulamos o presidente eleito Joe Biden e a vice-presidente eleita Kamala Harris" nos Estados Unidos, disse Tedros, um dia depois de parabenizá-los no Twitter.

"Estamos satisfeitos com a ideia de trabalhar em estreita colaboração com sua administração", acrescentou, após Joe Biden anunciar que uma célula de crise será lançada contra o coronavírus, que infetou mais de 50 milhões de pessoas em todo mundo.

A atitude de Biden, que garantiu que cancelará o processo de retirada dos Estados Unidos da OMS, contrasta com a do seu rival, o presidente em final de mandato Donald Trump, que minimizou a pandemia e renegou a agência da ONU, que considera como um "fantoche" nas mãos da China.

"Podemos estar cansados da covid-19. Mas ela não se cansou de nós", frisou o chefe da OMS. "Sim, [o vírus] ataca as pessoas com problemas de saúde. Mas também ataca outras fraquezas: desigualdade, divisão, negação, boas palavras e ignorância deliberada", acrescentou.

"A nossa única esperança é a ciência"

"Não podemos negociar com a covid-19, ou fechar os olhos, esperando que esta desapareça", insistiu. Da mesma forma, Tedros Adhanom Ghebreyesus enfatizou que o vírus não se preocupa com "retórica política, ou com teorias da conspiração".

"A nossa única esperança é: ciência, soluções e solidariedade", disse Tedros aos 194 países-membros da organização, reunidos na Assembleia Mundial da Saúde.

O encontro vai durar uma semana, até 14 de novembro, e acontece depois de uma primeira parte ter sido realizada em maio, que durou dois dias e teve a pandemia como foco.

Nesta semana, os diplomatas terão a oportunidade de discutir a reforma da OMS, um procedimento de longa data com o objetivo de fortalecer a organização para responder de forma mais rápida e eficaz aos desafios atuais, como as pandemias.

O diretor-geral da OMS pediu que a reforma seja "acelerada" e convocou os países a trabalharem nessa direção, fortalecendo suas capacidades de saúde e melhorando a "cooperação internacional".

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