Hong Kong "à beira do colapso total" após dia de greve com 128 feridos e 260 detidos

As ruas de Hong Kong voltaram a ser palco de confrontos entre manifestantes e forças de segurança, que, mais uma vez, recorreu ao gás lacrimogéneo

Os confrontos nas ruas de Hong Kong não dão sinais de abrandar. Nesta terça-feira, a polícia voltou a recorrer ao gás lacrimogéneo para dispersar os manifestantes pró-democracia concentrados no centro financeiro e em campus universitários.

Os episódios de violência aumentaram depois de um manifestante ter sido baleado pelas forças de segurança e de um homem, que se declarou a favor de Pequim, ter sido regado e incendiado.

Citada pela agência Efe, a Autoridade Hospitalar da ex-colónia britânica informou que o jovem de 21 anos que foi baleado por um agente e o homem de 57 anos que foi incendiado durante uma discussão com manifestante continuam hospitalizados "em estado crítico".

Por sua vez, a polícia anunciou pouco antes da meia-noite (16:00 de segunda-feira em Lisboa) ter realizado mais de 260 detenções ao longo do dia, um dos mais violentos de que há registo na cidade, e assegurou que vai continuar a aplicar a lei.

Segundo a imprensa local, alguns serviços de transporte público foram novamente interrompidos esta manhã e confrontos entre a polícia de choque e manifestantes foram de novo registados em alguns campus universitários, onde agentes usaram gás lacrimogéneo.

Algumas escolas e universidades da cidade já anunciaram a suspensão das aulas esta terça-feira.

Polícia denuncia "atos loucos" de manifestantes

Entretanto, a chefe do Executivo, Carrie Lam, voltou a aparecer numa conferência de imprensa, na qual acusou os manifestantes de serem "egoístas" por continuarem com aquilo que descreveu como "atos de vandalismo".

A dirigente de Hong Kong, a quem os manifestantes exigem a demissão, agradeceu a todas as pessoas que não participaram na greve de segunda-feira e aos cidadãos que, voluntariamente, retiraram as barricadas colocadas pelos manifestantes nas ruas.

Perante a violência dos confrontos nos últimos dias, o chefe da polícia da ex-colónia britânica, Kong Wing-cheung, não tem dúvidas: "A nossa sociedade está à beira de um colapso total".

De acordo com o mesmo responsável, citado pela Reuters, manifestantes com a cara tapada cometeram "atos loucos", como atirar lixo, bicicletas e outros detritos para a linha do metro e em direção dos posters de eletricidade, paralisando o sistema de transporte.

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