Navio carregado de petróleo nas Maurícias partiu-se em dois

A embarcação japonesa que encalhou, em julho, nos recifes de coral não conseguiu evitar o esperado desastre ambiental e partiu-se, este sábado.

Há semanas que milhares de estudantes, ativistas ambientais e moradores nas Maurícias trabalhavam para evitar os danos causados pelo derrame de petróleo de um navio encalhado nos recifes de coral ao largo da ilha. Mas o esforço revelou-se insuficiente. Este sábado o navio partiu-se em dois, libertando toneladas de petróleo no oceano Índico.

"Por volta das 16:30 um grande bocado da proa do navio começou a separar-se", informou o Comité Nacional de Crise das Ilhas Maurícias, em comunicado, citado pela agência Reuters. "Depois de consultados especialistas, o plano para o rebocar já está em marcha", continua o mesmo organismo.

O navio (MV Wakashio) deixou a China a 14 de julho e estava a caminho do Brasil. Encontrava-se a cerca de uma milha da costa sudeste da Maurícia quando encalhou, a 25 de julho, embora fosse suposto estar a 10 a 20 milhas (16 a 32 quilómetros) de distância da ilha, estando em investigação a razão pela qual o navio se desviou da rota.

"Nunca vimos nada assim nas Maurícias"

Antevendo desde logo a possibilidade do desastre ambiental acontecer, defensores da vida selvagem e voluntários começaram a transportar dezenas de tartarugas bebé e plantas raras de uma ilha perto do derrame para a ilha Maurícia, a maior do país, pressionando as autoridades para agir.

Foram criadas longas jangadas flutuantes para tentar abrandar a propagação do petróleo e usadas faixas de tecido cheia com folhas e palha de cana de açúcar mantidas a flutuar com garrafas de plástico.

"Estamos a trabalhar a todo o vapor. É um grande desafio, porque o petróleo não está apenas a flutuar na lagoa, está já a espalhar-se para a margem", dizia Sunil Dowarkasing, consultor ambiental e antigo membro do parlamento, há uma semana, adiantando que os ventos constantes e as ondas estavam a espalhar o combustível pelo lado oriental da ilha.

"Nunca vimos nada assim nas Maurícias" acrescentou.

A lagoa é uma área protegida, criada há vários anos para preservar uma zona da ilha Maurícia como há 200 anos. "Os recifes de coral tinham começado a regenerar-se e a lagoa estava a recuperar os seus jardins de coral", segundo Dowarkasing. "Agora tudo isto pode ser novamente morto pelo derrame de petróleo".

Por causa deste acidente, o primeiro-ministro, Pravind Jugnauth, declarou o estado de emergência e apelou à ajuda internacional, adiantando que o derrame "representa um perigo" para o país de 1,3 milhões de pessoas que depende fortemente do turismo, já em causa pelas restrições de viagem causadas pela pandemia de covid-19.

Com Lusa

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