"Não cederemos mais", diz Macron. Denuncia "ataque terrorista islâmico" e reforça segurança

Depois do atentado em Nice que provocou três mortes, Emmanuel Macron anunciou que o dispositivo militar de segurança passará de 3000 para 7000 soldados no país.

O presidente francês, Emmanuel Macron, qualificou como "um ataque terrorista islâmico" o atentado ocorrido na manhã desta quinta-feira numa igreja em Nice, no sudeste do país, que provocou três mortes, e anunciou um aumento do dispositivo militar para proteger o país.

"Não cederemos mais", afirmou Macron, numa declaração no local do atentado, em que anunciou também que o dispositivo militar de segurança passará de 3.000 para 7.000 soldados no país.

O aumento da presença militar no país "permitirá proteger os locais de culto" durante as festividades do Dia de Todos os Santos, celebrado com feriado (1 de novembro), e as escolas, na sequência do regresso às aulas após as férias de outono, que ocorrerá a partir da próxima semana, acrescentou o Presidente francês.

No ataque que ocorreu esta manhã na igreja de Notre-Dame de Nice três pessoas morreram, uma delas degolada, tendo as autoridades ferido o responsável. A pouco menos de três horas de distância, em Avignon, a polícia matou um outro homem armado com uma faca que tentou atacar os agentes e vários civis no meio da rua. Ambos terão gritado Allahu Akbar (Deus é grande), segundo as testemunhas. E na Arábia Saudita, no consulado francês em Jeddah, um guarda ficou ferido noutro ataque também com uma faca.

No passado dia 16, o professor Samuel Paty foi decapitado na vila Conflan Saint-Honorine, perto de Paris depois de ter mostrado caricaturas de Maomé durante uma aula sobre liberdade de expressão.

Pouco depois do ataque de Nice, mas sem nunca se referir a ele, o ex-primeiro-ministro da Malásia Mahathir Mohamad declarou que os muçulmanos "têm o direito de matar milhões de franceses".

Mohamad, que chefiou o executivo da Malásia, país muçulmano, até fevereiro passado, escreveu esta quinta-feira uma série de mensagens, em inglês, na sua conta na rede social Twitter, partindo do assassínio do professor francês e criticando o Presidente francês, Emmanuel Macron.

Ao referir-se à decapitação do professor, Mahathir afirma não aprovar o atentado, mas defende que a liberdade de expressão "não inclui insultar outras pessoas".

"Independentemente da religião em causa, as pessoas zangadas matam", escreve o ex-primeiro-ministro, de 95 anos, que no passado fez várias declarações polémicas sobre judeus e homossexuais.

"Os franceses, ao longo da sua história, mataram milhões de pessoas. Muitas eram muçulmanos", continua, acrescentando que "os muçulmanos têm o direito de estar zangados e de matar milhões de franceses pelos massacres do passado", afirmou.

Indignação no mundo após o ataque à faca em Nice

O ataque despertou reprovação e indignação em todo o mundo, com muitos países a expressarem solidariedade com a França.

Portugal

O Governo português manifestou "profunda consternação", reiterando a sua "condenação veemente" da violência e compromisso na luta contra extremismos.

"O Governo português reitera a sua condenação veemente de todas as formas de violência e reitera o seu compromisso com o combate ao extremismo, ao racismo, ao ódio e à intolerância em geral", declarou o Ministério dos Negócios Estrangeiros, em comunicado.

O primeiro-ministro, António Costa, também reagiu ao ataque através do Twitter, onde manifestou solidariedade com França e considerou que o ocorrido reforça a determinação numa Europa unida contra o ódio.

"Estamos solidários com a França. O terrível ataque na Catedral de Nice reforça a nossa determinação em manter a Europa unida contra o ódio, na defesa da liberdade e da tolerância", escreveu António Costa.

Reino Unido

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, disse que estava em "choque" depois do que classificou como um "ataque bárbaro", numa publicação escrita na língua francesa na rede social Twitter.

"O Reino Unido está ao lado da França na luta contra o terror e a intolerância", escreveu.

Vaticano

O Vaticano afirmou que "o terrorismo e a violência nunca podem ser aceites".

"É um momento de dor num período de confusão", afirmou o porta-voz do Vaticano, Matteo Bruni, acrescentando que o Papa Francisco "reza pelas vítimas e os seus entes queridos".

União Europeia

A União Europeia manifestou "solidariedade" para com a França e apelou à união contra "aqueles que espalham o ódio".

"Toda a minha solidariedade está com a França. Toda a Europa está convosco", escreveu o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, no Twitter.

Por sua vez, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que "toda a Europa está solidária com a França".

"Continuamos unidos e determinados diante da barbárie e do fanatismo", acrescentou.

O presidente do Parlamento Europeu, David Sassoli, exortou os europeus a "unirem-se contra a violência e aqueles que procuram incitar e espalhar o ódio".

Espanha

"Continuaremos a defender a liberdade, os nossos valores democráticos, a paz e a segurança dos nossos concidadãos. Unidos diante do terror e do ódio", afirmou o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez.

Itália

O chefe do governo italiano, Giuseppe Conte, denunciou o "vil atentado", que, no entanto, "não abala a frente comum em defesa dos valores da liberdade e da paz".

"As nossas certezas são mais fortes que o fanatismo, o ódio e o terror", escreveu no Twitter.

Turquia

A Turquia condenou "veementemente" o ataque "selvagem" em Nice, deixando de lado as fortes tensões entre Ancara e Paris para expressar a sua "solidariedade".

Rússia

O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, enviou as "mais profundas condolências" ao homólogo francês pelas trágicas consequências" do ataque.

"Vemos novamente que o conceito de moralidade humana é totalmente alheio aos terroristas. É claro que o terrorismo internacional requer a união dos esforços de toda a comunidade internacional", afirmou, numa mensagem enviada a Macron.

Noruega

A primeira-ministra norueguesa, Erna Solberg, "horrorizada", apelou aos "líderes políticos e religiosos do mundo muçulmano para rejeitarem o extremismo e protegerem a liberdade de expressão".

Líbano

O primeiro-ministro libanês designado, Saad Hariri, expressou a "mais forte condenação e desaprovação do hediondo ataque criminoso".

"Todos os muçulmanos são chamados a rejeitar esse ato criminosos que nada tem a ver com o Islão ou o profeta" Maomé, escreveu no Twitter.

Egito

O Ministério dos Negócios Estrangeiros egípcio disse que o Egito "está do lado da França na luta" contra esse tipo de crime de "ódio".

O grande mufti de Al-Azhar, Ahmed al-Tayeb, denunciou "um ato de ódio e terrorismo" que é "contrário aos ensinamentos do Islão".

Países Baixos

O primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, condenou o "abominável ato de terrorismo" e consolou a França ao dizer que "não está sozinha na luta contra o extremismo" e os Países Baixos estão "do seu lado".

Por seu lado, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Stef Blok, sublinhou, "chocado e indignado", que os Países Baixos "se solidarizam com a França" e alertou que ambas as "sociedades jamais tolerarão o racismo".

Nos últimos dias têm-se multiplicado reações do mundo muçulmano contra a França e o seu presidente, depois de Macron ter declarado que continuaria a defender a liberdade de expressão, incluindo a publicação de caricaturas, durante uma homenagem nacional a um professor.

No passado dia 16, o professor Samuel Paty foi decapitado na região parisiense depois de ter mostrado caricaturas de Maomé numa aula sobre liberdade de expressão.

* Atualizado às 16:40

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