MP acusa 17 pessoas por danos milionários na saúde do Rio de Janeiro

O Ministério Público (MP) brasileiro acusou 17 pessoas, entre elas o empresário Mário Peixoto e o ex-deputado Paulo Melo, por alegada corrupção, num esquema que provocou prejuízos milionários na área da saúde do Rio de Janeiro.

Os 17 visados são acusados no âmbito da Operação Favorito, um desdobramento da Operação Lava Jato, pelos crimes de branqueamento de capitais, organização criminosa e obstrução à investigação.

Segundo a acusação, Mário Peixoto é apontado como líder de um "esquema complexo de corrupção em atividade desde 2012", que provocou danos superiores a 500 milhões de reais (84,3 milhões de euros) na Saúde do Rio de Janeiro.

Além do empresário Mário Peixoto, foram acusados Vinícius Ferreira Peixoto, Paulo Melo, Alessandro Duarte, Cassiano Luiz da Silva, Luiz Roberto Martins, Márcio Peixoto, Marco Antônio Peixoto, Juan de Paula, Osvaldo de Paula, Zali Silva, Adelson da Silva, Matheus Ramos Mendes, Marcos Borges, Gilson Paulino, Fábio Cardoso do Nascimento e Andreia Cardoso do Nascimento.

"O esquema criminoso que perdurou durante anos é de difícil deteção, haja vista a quantidade de interpostas empresas utilizadas, a movimentação de altos valores em espécie, a utilização de 'laranjas'[testas-de-ferro] e a atuação sistemática da organização criminosa na destruição de provas e na realização de alterações societárias para o distanciamento dos reais proprietários das empresas do grupo", indicou a acusação.

O MP indicou que o esquema só foi descoberto mediante a utilização de "técnicas especiais de investigação, como interceção telefónica, telemática, afastamentos de sigilos fiscal e bancário".

A Operação Favorito foi aberta em 14 de maio para cumprir cinco mandados de prisão preventiva, 42 ordens de busca e apreensão em 38 endereços e 11 intimações para prestar depoimento.

Na ocasião, o ex-deputado estadual Paulo Melo e o empresário Mário Peixoto foram presos preventivamente.

Peixoto é dono de empresas que celebraram diversos contratos, como o de fornecimento de mão-de-obra terceirizada, ao governo estadual desde a gestão de Sérgio Cabral, que governou o Rio de Janeiro entre 2007 e 2014.

Segundo a acusação, o empresário comandava, através de terceiros, a contratação pelo estado do Rio de Janeiro de organizações sociais por ele controladas.

O Ministério Público Federal informou ainda que pediu o "reforço da prisão preventiva" de Mário Peixoto e de Alessandro Duarte, apontado como principal operador financeiro do empresário, devido a informações de que a dupla soube da operação com antecedência e avisou aos demais investigados, conforme diálogos identificados em telemóveis apreendidos.

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