Morreu o congressista que esteve na origem do Dia Martin Luther King

John Conyers Jr. foi o congressista afro-americano que mais tempo esteve em funções no Congresso. Morreu, este domingo, aos 90 anos

John Conyers Jr representou o Michigan na câmara dos Representantes do Congresso dos EUA entre 1964 e 2017. Foi o congressista afro-americano que mais tempo esteve em funções e, durante mais de meio século, foi um campeão da defesa dos direitos humanos e civis. Esteve também envolvido em escândalos de cariz sexual. Morreu este domingo, aos 90 anos, informou o jornal Detroit News.

Veterano da guerra da Coreia, nasceu no Michigan, mas cresceu em Detroit. Formado em Direito, membro do Partido Democrata, concorreu a presidente da câmara de Detroit, mas não foi eleito. Em 1964 chegou ao Congresso dos EUA. Aí integrou a comissão de Assuntos Judiciais e fez parte do painel que investigou o presidente Richard Nixon e mais tarde submeteu os artigos do impeachment.

Antes disso, em 1968, poucos dias após o assassinato de Martin Luther King Jr, Conyers introduziu um projeto de lei para criar um feriado em honra do reverendo. Só 15 anos mais tarde, em 1983, viu o presidente Ronald Reagan - republicano - assinar a lei. Em 1986 o Dia Martin Luther King tornou-se feriado nacional e, três anos depois, é adotado em 44 estados. Apesar disso, só em 1993 é adotado em todos os 50 estados dos EUA, como feriado. A data é comemorada, todos os anos, na terceira segunda-feira do mês de janeiro.

Considerado um dos mais liberais congressistas de sempre, Conyers, casado e pai de dois filhos, foi alvo de acusações de assédio sexual e maus tratos sobre algumas das mulheres que integravam o seu staff. Em 2017, veio a público que pagara, através do orçamento do seu gabinete, 27 mil dólares a uma ex-assistente, Marion Brown, no âmbito de um acordo para retirar a queixa que fizera contra ele. Brown alegava que tinha sido despedida do cargo que ocupava por ter recusado os avanços de caráter sexual por parte do congressista.

Outros membros do staff do democrata, lembra o Detroit News, também indicaram que ele realizou investidas desapropriadas, as tocou, fez convites para os quartos de hotel e se despiu em frente a elas. Face a estas alegações, Nancy Pelosi e Paul Ryan, atual e ex-presidentes da câmara dos Representantes, respetivamente, consideraram as alegações "bastante credíveis" e Conyers foi forçado a demitir-se.

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