Milhares protestam na Polónia contra as restrições que tornam quase impossível o aborto

Manifestantes contra a proibição quase total do aborto encheram este sábado as cidades da Polónia. Protestam contra uma decisão judicial que diz que é inconstitucional a lei que permite a interrupção de gravidez quando há malformações

Milhares juntaram-se este sábado em várias cidades polacas contra as leis restritivas do aborto e que impedem a interrupção da gravidez em praticamente todas as situações, noticia o The Guardian. É o terceiro dia consecutivo de protestos e os organizadores prometem novas ações para os próximos dias.

Quinta-feira, o tribunal constitucional polaco considerou que a lei que que permite o aborto de fetos malformados é incompatível com a constituição. "A decisão provocou protestos de associações de direitos humanos dentro e fora do país e que é profundamente católico. Alguns manifestantes gritaram: "Liberdade, igualdade, direitos das mulheres"., noticia o jornal britânico.

Além das frases, as faixas e cartazes têm a imagem de um raio vermelho que se tornou um símbolo dos protestos.

As praças das principais cidades, as igrejas, mas também as imediações da casa de Jarosław Kaczyński, o líder do PiS (partido do governo), em Varsóvia, Têm sido palco dos protestos de milhares de pessoas,

O aborto só é permitido na Polónia em caso de estupro, incesto ou se houver ameaça à vida da mulher.

O veredicto do tribunal constitucional vai de encontro às posições do episcopado católico romano da Polónia e do partido governista de direita Lei e Justiça (PiS). Com o PiS, este tribunal sofreu alterações e tem sido acusado de contar com muitos juízes leais ao partido nas suas fileiras.

Os manifestantes exigem um referendo sobre o direito de interromper a gravidez em caso de malformações, e prometem bloquear o trânsito em todo o país na segunda-feira.

Estimam que cerca de 200 mil interrupções da gravidez são realizados ilegalmente por ano, dentro ou fora da Polónia.

O Conselho da Europa condenou a veredicto do tribunal, com o comissário dos Direitos Humanos. a lamentar: "Foi um dia triste para os direitos das mulheres". A Amnistia Internacional e a Human Rights Watch também condenaram a decisão dos conselheiros.

As manifestações têm-se realizado em desobediência à proibição de ajuntamentos justificada pelo aumento de casos de SARS-CoV-2. O presidente da Polônia, Andrzej Duda, testou positivo para o vírus este sábado, num dia em registaram 13 628 casos e 179 mortes, este último, o número mais elevado desde a pandemia.

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