Espanha pode ultrapassar a Grécia nas chegadas por mar de migrantes

"Supomos que a rota que se prolonga pela costa em direção a Marrocos é considerada como mais segura", disse o porta voz da Organização Internacional para as Migrações

O número de migrantes que se dirigem para Espanha por mar, utilizando diversos meios, poderá ultrapassar em 2017 as chegadas à Grécia, previu esta quinta-feira a Organização Internacional para as Migrações (OIM).

Fenómeno inédito em Espanha, dezenas de migrantes desembarcaram na quarta-feira, numa praia repleta de turistas próxima de Cádiz, após terem atravessado o estreito de Gibraltar. Num vídeo amador hoje colocado na Internet são vistos a descer rapidamente de um barco pneumático para depois atravessarem a praia a correr.

No mesmo dia, 12 outros migrantes entraram com motas de água nas águas territoriais do enclave espanhol de Ceuta, em Marrocos, e um deles afogou-se antes de atingir a praia, indicou a prefeitura de Ceuta.

"Não se falava muito de Espanha, mas este ano é um dos casos", declarou à agência noticiosa France-Presse (AFP) Joel Millman, porta-voz da OIM, uma agência da ONU com sede em Genebra.

O grosso do fluxo migratório continua a passar pela Itália, mas "a Espanha poderá ultrapassar a Grécia este ano", acrescentou.

Segundo os números da OIM, 8.183 migrantes desembarcaram em Espanha até 06 de agosto, três vezes mais que os cerca de 2.500 registados em 2016 na mesma época. Em 06 de agosto, tinham chegado por mar à Grécia 11.713 pessoas.

Desde o início de 2016 morreram 120 migrantes ao tentar a travessia em direção a Espanha, contra 128 para o conjunto de 2016, ainda segundo a organização internacional.

Muitos destes migrantes são provenientes da África Ocidental com "uma parte deste fluxo a passar por Marrocos", e quando na Líbia, entregue às milícias, prevalece uma situação de grande insegurança.

"Supomos que a rota que se prolonga pela costa em direção a Marrocos é considerada como mais segura", acrescentou o porta-voz da OIM.

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