Merkel diz ter sido alvo de ciberataques da Rússia. "Há provas muito concretas"

A chanceler alemã diz que houve muitas tentativas "escandalosas" de ciberataques contra si e instituições da Alemanha. A espionagem "é uma estratégia da Rússia" que passa também pela "distorção dos factos", acusou Angela Merkel.

A chanceler alemã, Angela Merkel, disse esta quarta-feira que "tem provas" de várias tentativas "escandalosas" de ciberataques russos contra si.

"Posso dizer honestamente que isso magoa-me. Todos os dias tento melhorar as relações com a Rússia e, ainda assim, há provas muito concretas de que as forças russas fazem isso", disse a chanceler aos deputados no Bundestag.

A chanceler referiu-se a um ataque cibernético que, em 2015, foi dirigido contra a Câmara dos Deputados e contra os seus serviços.

O ataque ao Bundestag foi atribuído ao GRU, o serviço de informação militar russo.

Ao mesmo tempo, de acordo com a imprensa alemã, os hackers acederam a dados pessoais de um sistema de mensagens da chanceler.

Segundo Merkel, os investigadores identificaram um suspeito neste caso.

"Ainda nos reservamos o direito de agir, inclusive contra a Rússia", disse Merkel, que falou de um ato "ultrajante".

"É toda uma estratégia que está a ser aplicada" pela Rússia, incluindo a "distorção dos fatos", afirmou Merkel.

Neste contexto, "é claro que não é fácil" continuar a tentar construir um melhor relacionamento com Moscovo, acrescentou.

A governante também falou sobre o assassinato em Berlim em 2019, de um georgiano de origem chechena.

Segundo diferentes meios de comunicação, o crime foi responsabilidade dos serviços russos.

O caso provocou uma crise diplomática entre Alemanha e Rússia. Dois membros da embaixada russa, que o governo alemão acusou de não "cooperar" na investigação, tiveram de deixar o território alemão em 4 de dezembro de 2019.

O suposto assassino foi preso logo após o crime, mas Merkel alertou que "ainda estamos a tentar encontrar" possíveis cúmplices.

Mais Notícias