Masdar, a cidade emirati onde viver é 10 graus célsius mais fresco

Foi o petróleo e o gás natural que fizeram a fortuna dos Emirados Árabes Unidos, mas o país do Golfo Pérsico há muito que descobriu que o futuro passa pela diversificação da economia. E se a aposta no turismo é conhecida, já a construção em curso de uma cidade sustentável do ponto de vista ambiental surpreende muita gente. Vale a pena ver as fotos.

A conclusão do projeto de Masdar City está prevista para 2025, mas desde 2008 - quando as autoridades dos Emirados Árabes Unidos decidiram construir uma cidade sustentável do ponto de vista ambiental, social e económico - vão-se erguendo edifícios de escritórios, centros comerciais, casas e jardins. Situada a meia de hora de carro de Abu Dhabi, a capital, Masdar City combina arquitetura tradicional árabe com moderna tecnologia. Uma das regras básicas é um sistema de ruas desenhadas no sentido sudeste/noroeste que garantem sombra ao longo do dia e uma ventilação natural. Medições mostram que a temperatura na nova cidade pode ser dez graus célsius mais fresca do que no centro de Abu Dhabi, um dos sete emirados da federação criada em 1971 pelo xeque Zayed, que não só libertou a sua terra do colonialismo britânico como a liderou até 2004, legando ao sucessor um país próspero. O petróleo e o gás natural explicam a riqueza inicial dos Emirados Árabes Unidos, que depois apostaram também no turismo e no lazer.

Hoje são 1300 os habitantes de Masdar City, mas objetivo até 2025 é triplicar esse número. E os dois mil funcionários ali baseados deverão passar para cinco mil. A construção não para, mas os edifícios são feitos de cimento de baixo carbono e alumínio reciclado. A eletricidade vem em 70% de uma central equipada com painéis solares, os restantes 30% dos painéis fotovoltaicos nas próprias casas. A rede de distribuição de água também foi planeada para ser eficaz e poupar um recurso que no clima desértico e semidesértico da Península Arábica é valiosíssimo. Para os transportes públicos, a preferência foi para autocarros elétricos e veículos autónomos, como o Navya, desenvolvido em parceria com uma empresa francesa.

"A recente imagem do Secretário-geral da ONU António Guterres na primeira página da Times e a do urso polar em busca de comida numa lixeira nos subúrbios de uma cidade russa abalaram quem as viu: o desafio é global e a resposta tem que ser universal, com entidades internacionais e governos nacionais a coordenar ações complementares às vagas de protesto mundial contra o esgotamento do planeta. Os Emirados Árabes Unidos, sendo um país comprometido com o ambiente, são signatários de mais de 22 convenções internacionais e um tratado regional de cariz ambiental como por exemplo o Protocolo de Quioto ou o Protocolo de Montreal e suas emendas", explica o embaixador em Lisboa.

Moosa AlKhajah, que quer dar a conhecer aos portugueses o projeto de Masdar City, acrescenta ainda que "tendo a consciência da importância de diversificar as fontes da energia apostando nas energias limpas, o governo dos Emirados Árabe Unidos tem vindo a elaborar e implementar um conjunto de projetos ambientais pioneiros na região. Destacamos aqui o projeto "Cidade de Masdar", uma cidade que se quer sustentável e com Zero emissões."

Se conseguirem tornar Masdar City num espaço urbano sustentável num momento em que 50% da população mundial vive em cidades (e será 70% em 2050, segundo as estimativas da ONU), os Emirados Árabes Unidos estarão a criar um exemplo a seguir. O projeto é gerido pela Abu Dhabi Future Energy Company, que se orgulha de que os edifícios da cidade emitam menos 40% de carbono do que as normas internacionais, segundo a Ashrae, entidade global especializada em questões de combate às alterações climáticas.

Atualmente, muitas multinacionais fazem já questão de ter delegações na nova cidade com emissões zero, como a Siemens, a Lockheed Martin ou a Mitsubishi. Mas o mais curioso, e reconhecedor do valor do projeto, é ser em Masdar City que está instalada a IRENA, a agência internacional de Energia Renovável, primeiro ramo da ONU instalado no Médio Oriente.

Desde pelo menos 2016 que os Emirados Árabes Unidos assumem como prioridade o combate ao aquecimento global, segundo declarou na época Thani bin Ahmed Al-Zeyoudi,ministro do Ambiente e das Alterações Climáticas.

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