Mais de metade dos brasileiros quer impeachment de Bolsonaro

Segundo sondagem do Instituto Atlas Político, 54% deseja afastamento do presidente, o número mais elevado de sempre. Vinte pedidos nesse sentido já foram protocolados, o último dos quais pelo partido pelo qual ele se elegeu. Também bate recordes a rejeição ao chefe de estado, agora nos 49%

O duelo com Sergio Moro, ex-ministro da justiça e da segurança, derrubou a imagem pública de Jair Bolsonaro: 54% dos entrevistados na sondagem do Instituto Atlas Político são favoráveis a um processo de impeachment contra o atual presidente da República do Brasil, o número mais elevado desde maio de 2019, quando as pesquisas começaram a ser efetuadas.

Nessa altura, 38% defendiam o afastamento de Bolsonaro, um número que foi aumentando suavemente até atingir 48 pontos em março. Na atual sondagem, realizada através de 1000 entrevistas entre os dias 24 e 26 de abril, auge da crise com Moro por causa das supostas interferências políticas na polícia e outros alegados crimes, a maioria dos ouvidos, os referidos 54%, já quer o presidente longe do Palácio do Planalto, contra 37% que discordam. Os que não sabem ou não respondem são 9%.

Já chegaram à Câmara 20 pedidos nesse sentido, o último dos quais do PSL, o partido pelo qual Jair Bolsonaro se elegeu e com quem, entretanto, rompeu.

A taxa de rejeição ao presidente nunca foi tão elevada: são 49% os que qualificam a atuação de Bolsonaro como má, um aumento de oito pontos face à sondagem de março. Os que a aprovam não passam dos 21%, menos cinco pontos do que em março, enquanto 28%, também menos cinco pontos do que há um mês, consideram-na "regular".

Em maio do ano passado, data da primeira sondagem, só 23% rejeitavam o presidente, enquanto 39% o aprovavam.

Noutro item do estudo da Atlas Político, Sergio Moro volta a níveis de popularidades anteriores à Vaza Jato, a série de reportagens lideradas pelo site The Intercept em que o então ministro era acusado de parcialidade na condução da Lava Jato, em especial na condenação de Lula da Silva, presidente do Brasil de 2003 a 2010.

Lula, aliás, deixou de o líder político com imagem mais negativa, perdendo o posto, precisamente, para Bolsonaro, hoje com 65 pontos. O chefe histórico do PT tem 60% de opiniões negativas. Nesse item, melhor do que Moro está apenas Luiz Henrique Mandetta, o ministro da saúde demitido por Bolsonaro a meio da pandemia. Os dois ex-ministros são considerados presidenciáveis em 2022.

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