Madrid. Primeira noite de recolher obrigatório com festas ilegais e muito álcool na rua

Jovens queixam-se da acusação de serem os culpados pela subida de casos na região, mas no fim de semana a polícia foi obrigada a intervir numa mega festa ao ar livre onde ninguém cumpria o distanciamento social.

Foi o primeiro fim de semana de recolher obrigatório em Madrid. As reuniões no interior de residências e em locais públicos estão proibidas da meia-noite às 6 horas da manhã, mas muitos continuaram a festejar apesar das restrições.

O jornal ABC testemunhou as primeiras horas da medida e dá conta de como durante o fim de semana, a Polícia Municipal interveio em 300 festas ilegais e numa mega festa ar livre regada a álcool com 300 pessoas.

No sábado, na Plaza del Dos de Mayo, no coração de Malasaña, Ana, Carlota, Mario, Marta e Milena, de 17 anos, ignoravam o "toque de recolher".

"Aqui em Malasaña não havia polícia, agora viemos menos por causa disso. [A polícia] vem-nos chatear, porque nós somos os irresponsáveis, os imaturos, os infantis ...", disseram ao jornal, apontando que no interior dos bares havia ajuntamentos de pessoas de 30 anos que não respeitavam o distanciamento social. O grupo só lá não estava porque são menores de idade. A festa, por isso, fazia-se na rua.

De acordo com as autoridades, naquela noite, o piquete de polícia já tinha ido a trinta festas ilegais e testemunhara filas nas lojas de conveniência - abertas 24 horas por dia - e nos postos de gasolina para comprar álcool.

Além dos pequenos grupos que consomem nas vias públicas quando os bares fecham, a maior parte do trabalho das autoridades locas foi direcionado neste fim de semana para as festas em residências.

A polícia atuou em cerca de 300 festas ilegais, em casas e em locais que ignoravam o horário de fecho. Ao todo, o número de pessoas era superior ao permitido e não havia máscaras ou medidas de segurança.

A intervenção mais importante aconteceu na pista de skate Madrid Río, no bairro de Arganzuela, onde 300 jovens se reuniram para uma mega festa ar ar livre, regada a álcool e sem cumprir as medidas de segurança.

Com as últimas medidas para conter a pandemia, a Polícia Municipal decidiu usar drones para controlar o cumprimento do "toque de recolher".

O Governo de Espanha aprovou o estado de emergência sanitária, que permite a instauração do recolher obrigatório em todo o país para travar o aumento de casos do novo coronavírus.

O estado de alerta - nome exato deste regime de exceção que corresponde a um estado de emergência sanitária - terá uma duração de seis meses e será acompanhado de um recolher obrigatório em todo o país com exceção das ilhas Canárias, indicou Pedro Sánchez.

O chefe do governo espanhol precisou que o recolher obrigatório decorrerá entre as 23:00 e as 06:00, podendo as regiões avançar ou atrasar uma hora em função das características locais.

"A situação pela qual passamos é extrema", disse Sánchez num discurso transmitido pela televisão após um Conselho de Ministros extraordinário, quando a Espanha ultrapassou o milhão de casos do novo coronavírus esta semana.

Neste contexto, "o estado de alerta" constitui "a medida mais eficaz para infletir a curva dos contágios", adiantou.

Confirmou que o estado de emergência terá inicialmente uma duração de 15 dias, como prevê a Constituição, e que ele pedirá depois ao parlamento para "o prolongar até ao início de maio", mencionando a data de 9 de maio, ou seja, por seis meses.

O arquipélago das Canárias, ao largo da costa noroeste de África, não terá recolher obrigatório devido à baixa incidência do vírus, explicou Sánchez.

Trata-se do segundo estado de emergência a nível nacional em Espanha, depois do proclamado em março para conter a primeira vaga da pandemia da covid-19 e que durou até junho.

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