Macron à frente em presidenciais só com duas candidatas mulheres

Um total de 11 candidatos estará presente na primeira volta. Sete são eurocéticos ou críticos da UE. Marine Le Pen será a mais votada a 23 de abril. Perde, porém, a 7 de maio.

Onze candidatos vão apresentar-se na primeira volta das presidenciais francesas a 23 de abril, com as sondagens a darem Emmanuel Macron e Marine Le Pen na segunda volta, de 7 de maio. Estes dois candidatos surgem cada vez mais distanciados nas intenções de voto.

Cada candidato tinha de apresentar ao Conselho Constitucional 500 assinaturas de detentores de cargos públicos e de acordo com um critério de diversidade geográfica, para validar a candidatura. O Conselho aprovou Emmanuel Macron, ex-ministro socialista que rompeu com o partido e se apresenta com um programa de centro-esquerda, Marine Le Pen, de extrema-direita, François Fillon, direita e centro, Benoît Hamon, socialista, Jean-Luc Mélenchon, esquerda, Philippe Pouton, do Novo Partido Anticapitalista (extrema--esquerda), Nathalie Arthaud (extrema-esquerda), Nicolas Dupont-Aignan do movimento Debout la France (eurocético e soberanista), Jacques Cheminade, eurocético e protecionista, François Asselineau, soberanista anti-União Europeia e anti-NATO, e Jean Lassale, centrista.

O prazo para a apresentação das assinaturas terminava sexta-feira às 18.00. Nas anteriores presidenciais, em 2012, foram aceites dez candidaturas.

Fillon foi o candidato que apresentou maior número de assinaturas, 3635, seguindo-se Hamon, com 2039, Macron com 1829, Mélenchon, com 805, o centrista Lassale, com 708, o eurocético Dupont-Aignan, com 707, Nathalie Arthaud, com 637, e Marine Le Pen, com 627.

Um elemento a destacar é a presença de um importante número de candidatos eurofóbicos ou críticos, sob diferentes formas, do projeto europeu. Entre os eurocéticos, a esquerda e a extrema-esquerda, são sete os candidatos que defendem a saída da União Europeia, a redefinição do papel da França neste projeto e a saída da moeda única.

Outro detalhe relevante é o facto de Macron, que surge como candidato que não é de direita nem de esquerda, ter recolhido assinaturas em ambos os campos políticos, sendo cerca de 50% de representantes de partidos de esquerda, entre os quais muitos socialistas, 11% no centro e 16% na direita, sendo os restantes independentes, segundo a contabilidade estabelecida pelo Le Parisien.

Finalmente, apesar de não serem candidatos, Alain Juppé e François Baroin, ambos do partido Os Republicanos, a que pertence Fillon, recolheram, respetivamente, 313 e 45 assinaturas.

A dirigente da Frente Nacional, Marine Le Pen, continua à frente nas sondagens, recolhendo 26% das intenções de voto, segundo um inquérito do Instituto BVA publicado ontem. Em segundo lugar surge Emmanuel Macron, com 25%. Em terceiro lugar está François Fillon, com 19,5%. O candidato do centro e da direita surge em ligeira queda após ter sido acusado de desvio de fundos públicos no caso conhecido por Penelopegate, do nome de sua mulher.

As intenções de voto dos franceses são claras para a segunda volta, com Macron a obter 62% dos votos enquanto Marine Le Pen passa de 26% para 38%. A dirigente da extrema-direita é a única mulher que, em conjunto com a líder do Luta Operária, Nathalie Arthaud, concorre às presidenciais.

Na sondagem do BVA, os candidatos socialista, Benoît Hamon, e o da esquerda apoiado pelos comunistas, Jean-Luc Mélenchon, surgem praticamente empatados. O primeiro tem 12,5% das intenções de voto e o segundo 12%.

Ainda segundo o trabalho do BVA, um número menor de franceses, face a anterior sondagem no mesmo universo de inquiridos, tenciona votar a 23 de abril: 73%. Na anterior sondagem, este número era de 74%.

Os cinco mais bem colocados nas sondagens participam amanhã no primeiro de três debates da televisão TF1.

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