Normas que controlam arsenal nuclear da Rússia e dos EUA quase a expirar

A legislação que controla o armamento nos dois países deixa de ter validade em 2021. A acontecer, será a primeira vez desde 1972 que armas ficam sem fiscalização

As normas que controlam os arsenais nucleares dos EUA e da Rússia - o tratado New Start 2010 - têm validade até fevereiro de 2021. Um grupo de especialistas em armas afirma que é imperioso estendê-lo e revê-lo. Se isso não acontecer, será a primeira vez desde 1972 que este departamento fica sem controlo.

Alertando para o risco de cairmos numa nova corrida ao armamento, vários especialistas elaboraram um comunicado, que vai ser publicado esta quarta-feira a pedir que se reveja o New Start 2010.

A declaração é assinada por antigos negociadores de armas dos EUA e da Rússia, um ex-chefe de gabinete russo, Gen Victor Esin, o ex-ministro da Defesa do Reino Unido Des Browne, e o senador norte-americano aposentado Richard Lugar.

Afinal, vivemos tempos conturbados, com o crescente momento de alta tensão nas relações entre Washington e Moscovo, derivado à situação explosiva que se vive na Europa oriental e na Síria.

As acusações americanas a eventuais violações russas do tratado de armas nucleares com o desenvolvimento de um novo míssil terrestre, e com a ameaça da administração Trump de desenvolver uma arma semelhante em resposta, tornam necessário a revisão das leis que controlam o armamento.

Sobretudo, quando tanto Vladimir Putin como Donald Trump deixaram claro, em declarações recentes, a vontade de rever a postura nuclear de ambos os governos, modernizando e atualizando os arsenais.

A posição da Rússia e dos EUA sobre a revisão do tratado

Segundo o artigo publicado no The Guardian, em fevereiro passado, ambos os países declararam ter atingido os limites de 1.550 ogivas e 700 plataformas de distribuição, como mísseis balísticos intercontinentais, mísseis balísticos lançados por submarinos e bombardeiros com capacidade nuclear.

Assinado há oito anos pelos então presidentes de ambos os países, Barack Obama e Dmitry Medvedev, o tratado permite uma extensão de cinco anos por consentimento mútuo. Moscovo já disse estar disponível para discutir o assunto.

Quanto à administração Trump, o principal funcionário do Pentágono para a política nuclear, Rob Soofer, disse ao Senado, a 11 de abril: "Vamos começar uma revisão sobre os prós e contras de estender esse tratado".

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