"Incoerências" adiam resultados das primárias democratas

Um problema na app da contagem dos votos dos caucus levou a adiar o anúncio dos resultados no Iowa - as primeiras primárias democratas. O partido fala na necessidade de garantir "dados fidedignos", desmentindo irregularidades. Mas os republicanos aproveitam para criticar.

Os resultados das primárias democratas no estado do Iowa - que aqui se organizam em caucus - vão ser divulgados apenas "mais tarde durante o dia de hoje", anunciou o Partido Democrata. O caos está instalado porque a aplicação para telefones digitais criada de propósito para esta ocasião não funcionou, e a organização está a verificar os dados manualmente, de acordo com a agência de notícias Associated Press.

Isto coloca grande pressão sobre o partido democrata numa luta renhida com Trump nestas eleições e volta a por em causa o extremamente complexo processo dos caucus - uma especificidade de apenas alguns estados como o Iowa, Nevada e o Wyoming. Numas eleições primárias normais o voto é colocado numa urna ou eletronicamente marcado.

O caucus é uma eleição pessoal, realizada de braço no ar em escolas, ginásios ou outros locais. Nos caucus, conjunto de pessoas aproximam-se de outras numa reunião participada pessoalmente e vão escolhendo os vencedores. Por exemplo: os apoiantes de Joe Biden estariam num canto, os de Elizabeth Warren noutro e os de Bernie Sanders noutro.Os votantes são medidos - e quem tiver menos de 15% tem de desistir - juntando-se aos outros grupos.​​​​​​

Este ano, os democratas tinham garantido que se estavam a preparar para tornar estas votações mais simples, até com mudanças tecnológicas como o uso de uma aplicação para telemóveis. Mas a verdade é que pela noite dentro se foram verificando problemas sucessivos e ainda não se conhecem os resultados, com a organização a falar de "incoerências na compilação" e na necessidade de garantir "dados fidedignos", desmentindo qualquer irregularidade, como avançado pelo campo do Presidente norte-americano, Donald Trump - que aproveitou obviamente o sucedido para faturar eleitoralmente. O próprio presidente twitou ironicamente.

O diretor de campanha de Trump, Brad Parscale disse que os "estão a assar num caos de caucus que criaram com o mais atabalhoado desastre da história. Será natural que as pessoas duvidem da justiça do processo. E são estas pessoas que querem gerir todo o nosso sistema de saúde?"

O partido democrata contrapõe, sabendo que está numa posição difícil. "Quando os resultados forem anunciados, tenho a impressão que vamos assistir a um grande, grande êxito, aqui no Iowa", afirmou o senador Bernie Sanders. "Este dia marca o início do fim para Donald Trump", sublinhou.

O antigo vice-presidente de Barack Obama Joe Biden, que lidera as intenções de voto a nível nacional há meses, mostrou-se mais prudente, ao falar uma votação muito cerrada. "A aplicação que devia transmitir os resultados dos 'caucus' ao partido não funcionou", protestou a equipa de Biden, numa carta aos organizadores, na qual exigiu explicações.

Na verdade todas as sondagens davam os candidatos como empatados, e até Pete Buttigieg anunciou que estava bem colocado. "Ainda não conhecemos os resultados, mas sabemos que o Iowa irá chocar a nação. E todas as indicações são de que iremos para o New Hampshire vitoriosos."

Os partidos Democrata e Republicano começam o longo processo de escolha dos respetivos candidatos às presidenciais de novembro nos Estados Unidos, com a realização das primárias no estado do Iowa. O 'caucus' do Iowa vai revelar os primeiros indicadores sobre quem serão os candidatos dos dois principais partidos na corrida presidencial marcada para exatamente nove meses mais tarde, a 3 de novembro.

Distribuídos por cerca de duas mil mesas, de braço no ar, os eleitores de ambos os partidos escolherão os delegados dos 99 concelhos do estado do Iowa, depois de terem debatido as qualidades e os deméritos de cada candidato.

Uma eleição renhida... entre os democratas

Donald Trump não deverá ter grande dificuldade em se afirmar nos recintos onde se reúnem os militantes republicanos, que o escolherão quase por consenso. Nas primárias do Partido Republicano estão inscritos quatro candidatos: o empresário Rocky de la Fuente, da Califórnia; o ex-congressista Joe Walsh, do Illinois; o ex-governador de Massachusetts Bill Weld e o atual Presidente dos EUA, Donald Trump.

O Partido Republicano realiza a convenção nacional no Spectrum Center, em Charlotte, na Carolina do Norte, entre os dias 24 e 27 de agosto.

Do lado Democrata, dos mais de 20 candidatos que iniciaram a corrida restam 14 mas, destes, apenas três apresentam credenciais para aspirarem à nomeação na convenção nacional a realizar entre os dias 13 e 16 de julho em Milwaukee, no estado de Wisconsin, perto da fronteira com o Canadá.

As sondagens destacam depois Bernie Sanders, que repete a corrida para a nomeação Democrata depois de em 2016 ter sido preterido em favor de Hillary Clinton, e Elizabeth Warren, antiga professora de direito especializada em legislação de falências de bancos, antes de iniciar a carreira política, em 1995, tendo chegado ao Senado em 2012, tornando-se a primeira mulher a ocupar o cargo pelo relevante estado do Massachusetts.

Mais Notícias

Outras Notícias GMG