Governo japonês preocupado com impacto das tarifas dos EUA

Washington considera ainda impor tarifas sobre as importações de veículos e peças, setor crucial para a economia japonesa

O governo japonês qualificou esta segunda-feira como "deploráveis" as tarifas sobre o aço e o alumínio impostas pelos Estados Unidos, considerando que estas podem ter um "sério impacto" sobre o sistema mundial de comércio.

"Tememos que as medidas do governo dos EUA, que invocam a segurança nacional, perturbem o mercado global", disse o porta-voz do governo nipónico, Yoshihide Suga, após uma reunião dos ministros das Finanças do G7 [Grupo dos sete países mais industrializados do mundo: Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido), no Canadá.

"É provável que [as tarifas] tenham um impacto sério não apenas na cooperação económica entre o Japão e os Estados Unidos, mas também no sistema de comércio global regido pelas regras da OMC [Organização Mundial do Comércio]", insistiu o porta-voz, em conferência de imprensa.

Devido aos estreitos laços entre o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, e o Presidente norte-americano, Donald Trump, o Japão esperava convencer o aliado a eximir o país asiático das novas tarifas dos EUA sobre aço e alumínio.

Inflexível na decisão, Washington considera ainda impor tarifassobre as importações de veículos e peças, setor crucial para a economia japonesa.

"É extremamente deplorável que a situação não tenha melhorado mesmo depois de o Japão expressar preocupação aos Estados Unidos", disse Suga.

No mês passado, o Japão anunciou à OMC que estava preparado para retaliar em produtos norte-americanos no valor de 50 mil milhões de ienes (390 milhões de euros). Este montante corresponde ao impacto sobre as exportações japonesas de direitos aduaneiros decididos pela administração Trump.

De acordo com as estatísticas mais recentes, o Japão registou um excedente comercial de 615,7 bilhões de ienes (4,8 mil milhões de euros), em abril, com os Estados Unidos.

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