Fauci critica Reino Unido por ter apressado aprovação da vacina da Pfizer

O principal cientista americano de doenças infecciosas, Anthony Fauci, criticou o Reino Unido por ter apressado o processo de aprovação da vacina contra o coronavírus, sugerindo que a medida poderia minar a confiança do público.

Os comentários de Fauci foram feitos um dia depois de o Reino Unido se ter tornado o primeiro país ocidental a aprovar uma vacina Covid-19 para uso geral, gerando algum ceticismo entre os vizinhos europeus e sugestões de que o processo foi politizado.

O reputado cientista Anthony Fauci, que lidera o Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos e ficou célebre ao longo desta pandemia pelas suas opiniões muitas vezes dissonantes em relação ao presidente Donald Trump, disse à CBS News na quinta-feira: "Com todo respeito por muitos dos meus amigos no Reino Unido, mas eles contornaram a maratona e entraram à socapa na última milha".

"Acho que essa seria uma boa metáfora para isso ... porque eles realmente correram para essa aprovação", explicou o norte-americano. Fauci comparou o regulador britânico com a Food and Drug Administration (FDA) dos EUA, a qual apelidou de "padrão de ouro da regulamentação".

"Eles [na FDA] estão a fazer isto de uma forma muito cuidadosa, de forma apropriada, porque se fizéssemos qualquer coisa que fosse cortar por atalhos e apressar a corrida, isso só pioraria os problemas com as pessoas céticas em tomar uma vacina", disse Fauci.

"Se tivéssemos saltado uma etapa aqui, rápida e inadequadamente, para ganhar uma semana extra ou uma semana e meia, acho que a credibilidade do nosso processo regulatório teria sido prejudicada", acrescentou.

Fauci acrescentou "adorar os britânicos" e disse que tem respeito pelos cientistas do Reino Unido. Mas... "eles simplesmente pegaram nos dados da empresa Pfizer e, em vez de examiná-los com muito, muito cuidado, disseram: 'OK, vamos aprovar. É isso' e seguiram em frente.". "Na verdade, eles foram até mesmo severamente criticados pelos seus colegas da União Europeia", frisou.

Alguns ministros britânicos afirmaram que o Brexit permitiu que adotassem a vacina Pfizer-BioNTech antes dos outros países europeus, que ainda aguardam o sinal verde da Agência Europeia de Medicamentos (EMA).

A Grã-Bretanha ainda está sob as regras de comercialização de medicamentos da UE até 31 de dezembro, o final de um período de transição pós-Brexit, mas aprovou a vacina sob uma disposição de emergência na lei europeia.

O ministro da Saúde alemão, Jens Spahn, durante uma videoconferência com os seus homólogos da Unoão Europeia, já tinha comentado na quarta-feira: "A ideia não é ser o primeiro, mas ter uma vacina segura e eficiente."

"É uma questão de precisão na regulamentação e na autorização . Mas, como vimos nos comentários do Reino Unido, também é uma questão política", acrescentou.

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