Ex-marine dos EUA condenado a 16 anos de prisão por espionagem na Rússia

Num cartaz, Paul Whelan denunciou ter sido vítima de um julgamento de fachada e pediu a intervenção do presidente norte-americano.

Um tribunal de Moscovo condenou esta segunda-feira o antigo marine norte-americano Paul Whelan a 16 anos de prisão por espionagem na Rússia, num caso que tem provocado tensão nas relações entre os dois países

O juiz Andrei Suvorov indicou que o antigo militar, de 50 anos, cumprirá a pena numa prisão de trabalhos forçados.

Whelan denunciou num cartaz que levou para o tribunal ter sido vítima de um julgamento de fachada e anunciou que vai recorrer, pedindo ainda a intervenção do presidente dos EUA e dos primeiros-ministros de Canadá e Irlanda. O ex-marine tem também nacionalidade canadiana e irlandesa.

O embaixador dos EUA em Moscovo, John J. Sullivan, que esteve no tribunal, exigiu a libertação imediata de Whelan, considerando que a sua condenação nada tem a ver com justiça. "O seu julgamento secreto no qual nenhuma prova foi produzida é uma violação flagrante dos direitos humanos e das normas legais internacionais", indicou, citado pela assessora de imprensa no Twitter.

Detido em 2018 "quando cometia um ato de espionagem", segundo os serviços de segurança russos, o FSB, estava em prisão preventiva desde então. Os procuradores russos pediam uma pena de até 18 anos de prisão.

Whelan sempre alegou ter sido alvo de uma armadilha movida por um dos seus conhecidos, que lhe entregou uma pen USB que continha o que pensava serem fotografias registadas em sua companhia durante uma anterior estadia na Rússia.

O caso de Paul Whelan é uma das muitas fontes de tensão entre Moscovo e Washington, cujas relações foram agravadas, em particular, por disputas sobre o conflito ucraniano, a guerra na Síria e a manutenção da paridade estratégica entre as duas grandes potências.

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