Europeus querem mais fundos para combater a pandemia e a crise

Inquérito do Parlamento Europeu mostra que os cidadãos europeus defendem que a União Europeia deve ter mais poder e mais fundos para combater a crise gerada pela pandemia. Portugueses são dos que têm mais dúvidas sobre o futuro.

Com a segunda vaga do covid-19 dois terços dos cidadãos europeus, ou seja 66%, dos inquiridos na terceira sondagem feita pelo Parlamento Europeu defendem que a União Europeia (UE) deve ter mais competências para lidar com a pandemia. E a maioria, 54%, quer mesmo mais meios financeiros para combater as consequências da crise.

Mas um dado muito significativo desta sondagem, cujos resultados pode ver aqui, é o facto de uma esmagadora maioria dos inquiridos, na ordem dos 77%, dizerem que a UE deve disponibilizar fundos aos Estados-membros na condição dos governos respeitarem o Estado de direito de princípios democráticos.

Ou seja, os europeus valorizam muito o respeito pelas normas democráticas mesmo numa época de forte crise, em que os Estados-membros tiveram que calibrar medidas tendo em conta o Estado de direito e as liberdades individuais. Por exemplo, em tudo o que diz respeito às liberdades de circulação e confinamentos.

A crise sanitária, que já é muito prolongada, produz ainda muitas dúvidas sobre o futuro, com metade dos inquiridos na sondagem da UE (50%) a revelarem "incerteza" como o seu principal estado emocional. Sendo que os portugueses superam este número ao terem-se expressado em maior número com este estado de espírito. Ainda assim, a imagem que os europeus têm neste momento da UE é mais positiva do que a revelada no inquérito da passada primavera.

Saúde e recuperação económica

Nas medidas a tomar, os europeus entendem que a saúde pública deve estar no topo das prioridades das despesas, seguida da recuperação económica e de novas oportunidades para as empresas (42%), as alterações climáticas e a proteção ambiental (37%), bem como o emprego e assuntos sociais (35%).

Cerca de metade dos inquiridos (49%) dizem estar satisfeitos com as medidas que o seu governo tem tomado até agora no combate à pandemia do coronavírus, enquanto que uma proporção semelhante (48%) não partilha dessa satisfação. Esta perceção mostra-se mais negativa desde o último questionário, com uma queda na satisfação em relação às medidas governamentais.

Portugal está entre os países com maior aumento, (mais 13%) dos que acreditam que os prejuízos económicos nas medidas de prevenção são maiores que os benefícios para a saúde.

Quando se olham ainda aos dados relativos a Portugal, 45% dos portugueses inquiridos dizem que a crise covid-19 já teve impacto no seu rendimento individual, (quando a média da UE é de 39%), e 31% esperam que isso venha a acontecer no futuro.

Os jovens e famílias com crianças parecem ser os mais atingidos pela crise: 64% dos europeus entre os 16 e os 34 anos já experienciaram algum tipo de dificuldade financeira, 27% dos inquiridos com crianças utilizaram as suas poupanças mais cedo do que o previsto. Em cinco Estados membros, mais de metade dos inquiridos dizem que a pandemia já afetou os seus rendimentos pessoais: Chipre, Grécia, Espanha, Roménia e Bulgária, segundo o eurobarómetro.

.Moderadamente satisfeitos ou muito satisfeitos com as medidas da UE contra a crise da pandemia estão 61% dos (média UE: 46%); 83% acham que a UE devia ter mais competências para lidar com crises como a pandemia (média UE: 66%); 67% entendem que a UE devia dispor de mais meios financeiros para conseguir ultrapassar as consequências da pandemia (média UE: 54%) e 65% tem uma ideia positiva ou muito positiva da UE.

Este inquérito revela que há uma perceção mais positiva dos europeus do que a que existia em abril/maio de 2020. Dado que talvez se explique pelo facto de entretanto ter sido aprovado o programa de recuperação e resiliência, " a bazuca" como lhe chamou António Costa, dos 750 mil milhões para combater a crise propostos pela Comissão Europeia, liderada por Ursula van der Leyen.

Mas a discussão entre Estados-membros, sobretudo as reticências dos chamados "frugais" - Áustria, Holanda, Dinamarca e Suécia - sobre estes fundos e o modo como chegariam aos 27 talvez explique também que a maioria dos inquiridos permaneça insatisfeito com a solidariedade, ou a falta dela, entre os Estados-membros da UE.

Cerca de metade dos inquiridos (49%) dizem estar satisfeitos com as medidas que o seu Governo tem tomado até agora no combate à pandemia do coronavírus, enquanto que uma proporção semelhante (48%) não partilha dessa satisfação. Esta perceção mostra-se mais negativa desde o último questionário, com uma queda na satisfação em relação às medidas governamentais.

O Parlamento Europeu encomendou três inquéritos dedicados a medir a opinião pública europeia em tempos da covid-19. O último inquérito foi realizado online (e por telefone em Malta) pela Kantar, entre 25 de setembro e 7 de outubro de 2020, com cerca de 24,812 participantes dos 27 Estados membros. O questionário foi limitado a pessoas com idades compreendidas entre 16 e 64 anos (16-54 na Bulgária, República Checa, Croácia, Grécia, Hungria, Polónia, Portugal, Roménia, Eslovénia e Eslováquia). As quotas relativas ao género, idade e região a nível nacional garantem a representatividade do inquérito.

O total dos resultados da UE são ponderados de acordo com a dimensão da população de cada país inquirido.

Mais Notícias