Europa tenta salvar o Natal, cada vez mais fechada pela 2.ª onda de covid-19

A pandemia do novo coronavírus provocou pelo menos 1,15 milhões de mortes no mundo desde que a OMS na China anunciou o surgimento da doença em dezembro.

Itália começa a aplicar nesta segunda-feira novas medidas, questionadas por parte da população, para "salvar o Natal" diante da segunda onda de coronavírus que afeta a Europa, onde os países procuram alternativas como o recolher obrigatório para evitar novos confinamentos generalizados.

A decisão do primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, de fechar restaurantes e bares a partir das 18.00 e, por completo durante um mês, teatros, cinemas e ginásios foi considerada uma "declaração de fracasso" pelos seus críticos, enquanto os cientistas questionam se será suficiente para conter a propagação do vírus.

Conte disse que as medidas impopulares, que significam um duro golpe para setores já muito abalados pelo estrito confinamento nacional na primavera, devem permitir que os italianos estejam "mais serenos até o Natal".

O fim de semana foi de confrontos entre as forças de segurança e opositores ao recolher obrigatório em Roma e Nápoles.

"Com as novas restrições, vamos fechar. O nosso estabelecimento não fica no centro de uma cidade, estamos no interior. Os nossos clientes vêm à noite, ou durante o fim de semana", declarou à AFP Giuseppe Tonon, de 70 anos, proprietário de um restaurante em Oderzo, uma pequena localidade do nordeste do país.

A fotografia de Tonon diante do restaurante, resignado e deprimido com a máscara pendurada numa orelha, foi publicada pela sua filha no Facebook e tornou-se viral nas redes sociais em Itália.

Confinamento na Catalunha?

A situação em Itália não é caso isolado na Europa. Em Espanha, o governo central decretou no domingo o estado de alarme e impôs o recolher obrigatório noturno em todo o país, com exceção das ilhas Canárias.

O governo regional da Catalunha estuda decretar um confinamento domiciliário durante os fins de semana para conter a pandemia de coronavírus.

Os contágios dispararam recentemente nesta região, na linha do que foi registado no território nos últimos dias, quando a Espanha se tornou o primeiro país da União Europeia a superar a marca de um milhão de pessoas infetadas com a covid-19.

"É um cenário que está em cima da mesa, porque durante o fim de semana é quando há mais interação social", disse a porta-voz do governo regional, Meritxell Budó, ao ser questionada sobre esta opção numa entrevista à rádio pública catalã.

Em França, a hipótese de regresso ao confinamento já não parece tão distante, depois de o país ter registado no domingo mais de 52 mil novos casos em 24 horas. O governo já aplica o recolher obrigatório noturno em várias regiões, incluindo a capital Paris. Uma medida que afeta 46 milhões de pessoas.

A pandemia do novo coronavírus provocou pelo menos 1,15 milhões de mortes no mundo desde que a OMS na China anunciou o surgimento da doença em dezembro, segundo um balanço da AFP com base em números oficiais dos países.

Além disso, mais de 43 milhões de casos foram oficialmente declarados. Os números aceleram e, no domingo, foram registados mais de 400 mil contágios em todo o mundo.

"Bandeira branca"

Os Estados Unidos continuam a ser o país com mais mortes e contágios (225 239 e 8 636 995, respetivamente). No domingo, o chefe de gabinete do presidente Donald Trump, Mark Meadows, admitiu que a Casa Branca "não vai controlar a pandemia".

A pouco mais de uma semana da eleição presidencial, o candidato democrata Joe Biden acusou o chefe de Estado de "agitar a bandeira branca da derrota e esperar que, se for ignorado, o vírus irá embora".

Depois dos Estados Unidos, os países com mais vítimas fatais são: Brasil (157 134 mortos e 5 .394 128 casos), Índia (119 014 mortos e 7 909 959 casos), México (88 924 mortos e 891 160 casos) e Reino Unido (44 896 mortos e 873 800 casos).

No domingo, o Equador registou o recorde de 2021 novos casos em 24 horas. O país acumula até ao momento 161 635 infetados e 12 553 óbitos provocados pela covid-19.

O Peru viveu o primeiro domingo sem confinamento em sete meses, depois de o governo suspender a proibição de sair às ruas nas regiões mais afetadas pela pandemia.

E, no Chile, muitas pessoas foram para as ruas para festejar a vitória no referendo de domingo para mudar a Constituição herdada da ditadura de Augusto Pinochet.

Na Austrália, a cidade de Melbourne, a segunda maior do país, vai suspender o confinamento nesta semana, após quase quatro meses de restrições.

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