Espia russa trabalhava na embaixada em Moscovo e teve acesso a mails norte-americanos

Reuniões não autorizadas com elementos dos serviços de segurança russos tramaram mulher que estava a ser vigiada desde 2016

Uma espia russa trabalhou mais de uma década na embaixada norte-americana de Moscovo. A descoberta surgiu após uma investigação dos serviços de contraespionagem americanos.

A notícia foi avançada na manhã desta sexta-feira pelo The Guardian , diário que acrescenta ter a espia russa tido acesso durante o tempo em que trabalhou para o governo dos EUA à intranet da embaixada e ao sistema de emails. Este acesso permitiu-lhe aceder a material confidencial, incluindo a agenda dos presidentes e vice-presidentes norte-americanos.

A mulher trabalhou durante anos para os serviços secretos sem qualquer problema, mas em 2016 ficou sob suspeita depois de uma investigação de rotina feita por dois investigadores do departamento de estado (RSO).

Durante essa investigação ficou claro que a espia mantinha reuniões não autorizadas com elementos da FSB, a principal agência de segurança russa.

De acordo com o The Guardian o alerta para esta situação foi feito no RSO em janeiro de 2017, mas os serviços secretos decidiram não efetuar nenhuma ação preferindo deixar alguma margem de manobra à mulher.

Fonte dos serviços secretos disseram ao diário inglês que a mulher foi despedida no verão do ano passado após lhe ter sido retirada a credencial de segurança.

Esta decisão surgiu pouco antes das várias expulsões de diplomatas e pessoal das embaixadas decididas pelos EUA e a Rússia. A ordem para os EUA retirarem 750 pessoas - das 1200 que estavam nos seus serviços diplomáticos - de Moscovo acabou por minimizar eventuais noticias sobre este caso.

Questionado pelo The Guardian sobre a investigação à mulher e a sua demissão, os serviços secretos norte-americanos tentaram minimizar a sua importância mas não negaram que era uma espia.

"Os serviços secretos dos EUA reconhecem que todos os nacionais de serviço exterior [os naturais dos países onde estão serviços diplomáticos dos EUA] podem ser influenciados pelos serviços de inteligência estrangeira. Isto com particular ênfase na Rússia. Como tal, os seus deveres são limitados à tradução, interpretação, orientação cultural, ligação e suporte administrativo".

Segundo uma fonte do jornal a mulher teve acesso ao banco de dados mais prejudicial para os EUA, "o sistema de correio oficial dos serviços secretos dos EUA. Ela acedeu à agenda do presidente - atual (Donald Trump) e anterior (Barack Obama) - vice-presidentes e seus cônjuges, incluindo Hillary Clinton".

A mesma fonte defendeu que deveria ser efetuada uma investigação ao caso.

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