"Ele não veio à minha posse". Trump recusa elogiar herói dos direitos civis John Lewis

Numa entrevista à Axios, o presidente dos EUA desvalorizou o papel do congressista democrata que morreu a 17 de julho. A luta pela igualdade de direitos entre brancos e negros do homem que esteve ao lado de Martin Luther King na Marcha em Washington em 1968 valeu-lhe amplos elogios de ambos os partidos e uma homenagem rara na capital federal durante as suas exéquias.

Donald Trump diz não saber como é que o ativista dos direitos civis John Lewis vai ser recordado na História, mas "ele escolheu não vir à minha tomada de posse". Numa entrevista a Jonathan Swaan, da Axios, o presidente dos EUA desvalorizou o papel do congressista democrata que morreu a 17 de julho. A luta pela igualdade de direitos entre brancos e negros do homem que esteve ao lado de Martin Luther King na Marcha em Washington em 1968 valeu-lhe amplos elogios de ambos os partidos e uma homenagem rara na capital federal durante as suas exéquias.

À pergunta "como acha que a História vai lembrar John Lewis", Trump responde: "Não sei, não sei mesmo. Não conhecia John Lewis, Ele escolheu não ir à minha tomada de posse".

Lewis entrou várias vezes em confronto com Trump. Não só boicotou a sua posse em janeiro de 2016 como denunciou a interferência russa nas eleições para pôr em causa a sua legitimidade e alertou que a democracia americana estava ameaçada.

Na mesma entrevista, gravada na semana passada, o jornalista ainda pergunta a Trump: "Mas acha-o uma figura impressionante?". Ao que o presidente responde: "Não sei dizer. Acho muitas pessoas impressionantes. E acho que muitas pessoas não o são. Ele não veio à minha posse, não veios aos meus discursos do Estado da União... e está certo".

As palavras de Trump surgem num momento em que os EUA têm vivido protestos raciais em várias cidades depois da morte de George Floyd por um polícia branco, gerando um debate sobre a questão racial antes das eleições presidenciais de 3 de novembro.

Durante a mesma entrevista, Trump garantiu que "ninguém fez mais pelos afro-americanos do que eu". E quando o jornalista insistiu uma última vez para saber se, tirando a relação pessoal da equação, o presidente não achava que Lewis era uma uma personalidade impressionante pelo que fez pela América", a resposta foi: "Era uma pessoa que gastou muita energia e esteve de coração na luta pelos direitos civis, mas houve muitos outros".

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