Três mortos em ataque com faca numa igreja de Nice. Uma mulher foi degolada

Autarca Christian Estrosi descreveu o caso como um ataque terrorista. O agressor foi ferido pela polícia e encontra-se hospitalizado

Três pessoas morreram e várias ficaram feridas nesta quinta-feira em Nice, no sudeste da França, após serem atacadas com uma faca por um homem que já foi detido pela polícia, de acordo com a agência de notícias France-Presse.

Fonte policial disse à AFP que duas pessoas, um homem e uma mulher, foram mortas na igreja de Notre-Dame, onde ocorreu o ataque, e uma terceira vítima, gravemente ferida, morreu num bar perto da Igreja, onde se tinha refugiado.

A procuradoria antiterrorista anunciou a abertura de uma investigação por "assassínio" e "tentativa de assassínio" após o ataque, em que pelo menos uma das vítimas mortais foi degolada e várias outras pessoas ficaram feridas.

Os factos ocorreram por volta das 09.00 no local (08.00 em Lisboa) perto da Igreja de Notre-Dame, no centro de Nice, acrescentou uma fonte policial.

Muitos polícias e bombeiros estão no local, referiu um jornalista da AFP que se encontra fora do perímetro de segurança e a algumas dezenas de metros da igreja.

O agressor foi ferido pela polícia e encontra-se hospitalizado, de acordo com fontes policiais.

"Ele (o agressor) gritou 'Allah Akbar! (Deus é grande)' repetidas vezes, mesmo depois de ter sido ferido", disse o autarca de Nice, Christian Estrosi, à televisão BFM, acrescentando que "o significado do seu gesto não deixa dúvidas" de que foi um ataque terrorista.

O tráfego dos elétricos foi interrompido nesta área movimentada.

"A situação está sob controlo, não devemos entrar em pânico", disse a polícia local.

Em Nice, as imagens dos meios de comunicações franceses mostraram o bairro encerrado e cercado pela polícia e veículos de emergência. Os sons das explosões podiam ser ouvidos, já que agentes das forças de segurança explodiam objetos suspeitos.

"As detonações que ouvem são causadas pela operação de desminagem", acrescentou a porta-voz da polícia, Florence Gavello.

O ministro do Interior, Gérald Darmanin, anunciou na rede social Twitter a realização de uma "reunião de crise" em Paris, enquanto a Assembleia Nacional decidiu guardar um minuto de silêncio em solidariedade com as vítimas e os seus parentes.

O primeiro-ministro francês, Jean Castex, saiu de urgência da Assembleia Nacional, onde compareceu para esclarecer sobre o novo confinamento devido à pandemia do novo coronavírus, para se dirigir à unidade de crise.

O presidente francês, Emmanuel Macron, também vai estar presente nesta reunião, anunciou o Palácio do Eliseu. Entretanto, o governo francês elevou o nível de segurança.

Nice esteve enlutada em 2016 depois de um ataque que deixou 86 mortos na famosa avenida Promenade des Anglais, em 14 de julho, em pleno feriado nacional.

Este é o terceiro ataque que ocorre desde a abertura em setembro de um julgamento de terrorismo sobre as mortes no jornal satírico Charlie Hebdo e em um supermercado judaico que ocorreram em janeiro de 2015.

UE solidária com França

O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, manifestou hoje toda a sua solidariedade para com França e os franceses após o "abominável ataque" desta manhã com uma faca em Nice, enquanto o Parlamento Europeu se mostrou "profundamente chocado".

"Toda a minha solidariedade para com a França e os franceses. Os meus pensamentos vão para as vítimas do abominável ataque de Nice e para os seus entes queridos", reagiu Charles Michel, numa publicação feita na rede social Twitter.

E adiantou: "Toda a Europa está convosco".

Também através do Twitter, o presidente do Parlamento Europeu, David Sassoli, afirmou estar "profundamente chocado e triste com a notícia do horrível ataque em Nice".

"Esta dor é sentida por todos nós na Europa. Temos o dever de nos unirmos contra a violência e contra aqueles que procuram incitar e espalhar o ódio", instou David Sassoli.

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