Dilma pede suspensão da votação no Supremo

Governo lança ofensiva para inverter as contas do impeachment perto do apito final

O governo de Dilma Rousseff apresentou ontem no Supremo Tribunal Federal um pedido para suspender a votação do processo de impeachment, que está prevista para este domingo. Alega José Eduardo Cardozo, o advogado-geral da união, que o relatório votado pela Comissão do Impeachment incluiu "matérias estranhas" ao processo. Em paralelo, Lula da Silva, que vem funcionando como ministro-chefe informal da Casa Civil, apresentou uma lista com a assinatura de 186 deputados supostamente comprometidos com o não à destituição. Mas, caso o governo saia mesmo derrotado do processo, o ex-presidente garantiu a aliados que começará, no dia seguinte, a campanha eleitoral para as presidenciais de 2018 para não dar sossego ao eventual novo presidente Michel Temer.

Citados pelo Folha de S. Paulo, aliados de Lula avisam que o líder histórico do PT "não sairá mais das ruas" caso o governo não consiga travar o processo de impeachment. Será, até 2018, "uma campanha eleitoral permanente, baseada no apoio dos movimentos sociais", e com o objetivo de não dar tréguas a Temer, "um presidente ilegítimo", de acordo com os lulistas.

A ordem por agora na suite do hotel Golden Tulip, onde Lula coordena a frente anti-impeachment, é, porém, lutar até ao último minuto pela vitória na votação de domingo, em que o governo precisa que 171 deputados num universo de 513 que não votem pela destituição. Apesar do desembarque de partidos comprometidos com o governo, como PP e PSD, os apoiantes de Dilma apresentaram a assinatura de 186 deputados e 30 senadores num documento chamado Frente Mista em Defesa da Democracia onde se lê que "dado o momento de grande complexidade no cenário da política brasileira, onde as instituições e a legitimidade do voto estão sendo postos em cheque, os deputados se propõem a atuar na defesa da democracia".

Além da batalha voto a voto, o governo também já avançou com a batalha jurídica. O advogado-geral da união José Eduardo Cardozo fala em "lesões ao processo legal" contidas no relatório efetuado pelo deputado Jovair Arantes e aprovado pela Comissão de Impeachment na segunda-feira e pediu suspensão da votação no STF. Em causa, a inclusão no texto da delação do ex-senador do PT Delcídio do Amaral e de atos da presidente no primeiro mandato, temas que não haviam sido considerados pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, quando aceitou a denúncia e, portanto, para os quais o governo não pôde apresentar defesa. O juiz Edson Fachin, o mais recente no posto, será o juiz do Supremo encarregado de analisar o pedido.

Do lado da oposição classifica-se estas ações como "desesperadas". Após o desembarque de PP e PSD, cujos grupos parlamentares decidiram votar maioritariamente pelo impeachment, o ambiente no Palácio do Jaburu, residência oficial do vice-presidente Michel Temer, é de celebração. A TV Globo captou mesmo uma imagem de engarrafamento de viaturas oficiais de deputados à entrada do Jaburu para cumprimentar o vice. "Parecia uma romaria, uma loucura", afirmou ao Estado de S. Paulo o deputado do PMDB José Priante.

É, no entanto, no gabinete do senador Romero Jucá, que substituiu Temer na presidência do PMDB nos últimos dias, que se costuram os últimos acordos. O jornal O Globo chama ao gabinete "um bunker" repleto de mapas com o nome dos deputados pró-impeachment que, segundo as contas de Jucá e companhia, já passa dos 350, acima dos 342 necessários para destituir a presidente. Mas entre os próprios peemedebistas há um grupo minoritário que vai votar contra a queda de Dilma Rousseff. O bloco oposicionista, tal como o do governo, também já se prepara do ponto de vista jurídico para o dia seguinte às votações.

São Paulo

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