Dilma já esvaziou as gavetas do Planalto

A presidente já terá encaixotado as suas coisas antecipando a destituição e passagem de poder para o vice, Michel Temer

O clima de transição do governo da presidente Dilma Rousseff, alvo de um pedido de impeachment que vai ser admitido pelo Senado nos próximos dias, para o do atual vice-presidente e herdeiro Michel Temer tomou conta de Brasília. No Palácio do Planalto, há pessoas a encaixotar papéis pelos gabinetes. Uma delas é a própria Dilma.

A presidente esvaziou as suas gavetas cinco dias após a derrota na votação do impeachment na Câmara dos Deputados, no dia 17 de abril, informa o jornal Folha de S. Paulo. Prestes a ser afastada por 180 dias da presidência, tempo que durará, no máximo, o julgamento no Senado, a presidente já transferiu a papelada de palácio para palácio, isto é, do Planalto, onde trabalham os presidentes, para o da Alvorada, a residência oficial do chefe de Estado. Os 11 ministros do PT e os mais de 20 mil funcionários governamentais nomeados temem, agora, pelo futuro.

A realidade - o ambiente meio fúnebre da retirada em Brasília - contrasta com os discursos acalorados e mobilizadores de Dilma, do antecessor Lula da Silva e de líderes sindicais no 1º de Maio ontem celebrado em São Paulo. Aloizio Mercadante, ministro da Educação e fiel escudeiro da presidente, disse ao jornal O Estado de S. Paulo que "todos falam que o PT esteve 13 anos no poder mas esquecem-se que o partido tem pós-doutoramento em oposição".

"Nós não vamos reconhecer um governo que não teve origem democrática, imaginem o Movimento dos Sem Terra, a Central Única dos Trabalhadores e a União Nacional de Estudantes nas ruas a protestar...", alerta Mercadante, que vai voltar a dar aulas na universidade, como também, Nelson Barbosa, o ministro da Fazenda nos últimos meses. O ministro dos Transportes Antonio Rodrigues, por seu lado, voltará a ser vereador em São Paulo.

A esperança do PT é que o governo Temer se mostre fragilizado e que a tensão das ruas leve os senadores a inverterem o seu voto após os 180 dias de julgamento de Dilma. Nessa altura, são necessários dois terços - 54 votos - e não apenas a metade - 41 - para derrubar em definitivo a presidente.

São Paulo

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