Descoberto tratamento ginecológico com quase 4 mil anos. É o mais antigo que se conhece

O túmulo de uma mulher nobre egípcia desvendou o tratamento ginecológico mais antigo que se conhece. Terá sido realizado no ano 1800 a.C e baseava-se na fumigação, revela a descoberta feita por um grupo de investigadores da Universidade de Jaén, com sede em Espanha.

O tratamento ginecológico mais antigo que se conhece foi realizado no ano 1800 antes de Cristo (a.C). Foi o que desvendou o interior do túmulo de uma mulher nobre do Antigo Egito, na necrópole Qubbet el-Hawa, no sul do Egito. Em 2017, um grupo de investigadores da Universidade de Jaén, com sede em Espanha, exumou o túmulo SattJeni e de outros nove cadáveres e os resultados foram agora conhecidos.

A taça de cerâmica queimada encontrada entre as pernas da mulher representa o vestígio de um tratamento ginecológico feito há quase quatro mil anos, sabe-se agora.

SattJeni, que teria cerca de 30 anos, da antiga cidade de Elefantina, terá recorrido à fumigação para o alívio de dores.

Aquando da descoberta da taça, os especialistas levantaram a hipótese de se tratar de um ritual desconhecido, mas a investigação concluiu que se tratava de um tratamento ginecológico.

"Vários papiros escritos na época da morte desta mulher descrevem tratamentos paliativos nos quais fumigações eram usadas para diversos problemas ginecológicos", explicou ao site espanhol ABC Alejandro Jiménez, o responsável pelo estudo publicado na revista especializada Zeitschrift für ägyptische Sprache und Altertumskunde e que pode ser consultado também no site De Gruyter.

A taça que continha "restos de matéria orgânica com sinais evidentes de combustão é comparada a tratamentos semelhantes registados em diferentes papiros", um deles é quase contemporâneo à data em que a mulher terá morrido, lê-se no estudo.

A descoberta surpreendeu o grupo de investigadores que nunca tinham visto nada semelhante. "E já fazíamos escavações há uma década", realça Jiménez, professor de Egiptologia.

Antropólogos biólogos analisaram os restos mortais de Sattjeni e conseguiram concluir que tinha uma fratura na pélvis, um ferimento que não foi fatal, mas que terá causado dores muito fortes. A partir daqui começaram a perceber que a taça que encontraram podia estar associada a um tratamento paliativo e não a um ritual de magia ou ligado a uma oferenda religiosa.

Papiros comprovam tratamento ginecológico

A taça que continha "restos de matéria orgânica com sinais evidentes de combustão é comparada a tratamentos semelhantes registados em diferentes papiros", um deles é quase contemporâneo à data em que a mulher terá morrido, lê-se no estudo.

A descoberta surpreendeu o grupo de investigadores que nunca tinham visto nada semelhante. "E já fazíamos escavações há uma década", realça Jiménez, professor de Egiptologia.

Antropólogos e biólogos analisaram os restos mortais de Sattjeni e conseguiram concluir que tinha uma fratura na pélvis, um ferimento que não foi fatal, mas que terá causado dores muito fortes. A partir daqui começaram a perceber que a taça podia estar associada a um tratamento paliativo e não a um ritual de magia ou ligado a uma oferenda religiosa.

Os papiros que encontraram confirmaram as suspeitas, mas não indicaram o tratamento específico para dores decorrentes de fraturas, mas sim para problemas relacionados com a fertilidade ou a menstruação. "Isto confirmou que estávamos diante de um tipo de tratamento que era usado para problemas ginecológicos", sublinhou o especialista.

Perante estas provas, Jiménez considera que se trata de uma descoberta "muito importante". "A arqueologia não tinha conseguido comprovar até agora que estes tipos de procedimentos eram realizados", afirmou o professor da Universidade de Jaén.

Não é claro, no entanto, que este tipo de tratamentos era realizado pela classe alta, embora tudo indique que sim. "O que sabemos é que o conhecimento dos tratamentos estava nas mãos de quem poderíamos chamar de médicos", refere o especialista, dizendo que estas pessoas não trabalhavam com as pessoas desfavorecidas da sociedade de então.

Mas a presença da taça "indica claramente que queriam continuar as fumigações na vida após a morte, para parar com as dores", disse Jiménez, citado pelo Daily Mail.

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