MNE francês em Lisboa. Portugal e França querem coordenação na gestão das fronteiras europeias

Jean-Yves Le Drian falou aos jornalistas depois de um encontro com o homólogo português, Augusto Santos Silva.

"É um prazer voltar a Portugal, onde tive a oportunidade - eu diria mesmo a sorte - de estar de férias há uns dias", começou Jean-Yves Le Drian em tom ligeiro. O ministro dos Negócios Estrangeiros francês esteve em Lisboa nesta terça-feira para uma visita-relâmpago e falou aos jornalistas no Palácio das Necessidades depois de um encontro com o homólogo português, Augusto Santos Silva.

Depois de uma reunião em que abordaram temas tão diversos como as relações económicas entre Portugal e França, a relação da UE com o flanco sul do Mediterrâneo, a Turquia, a Líbia, o Brexit ou a pandemia de covid (que obrigou a adiar este encontro, previsto inicialmente para maio), Le Drian recordou: "Vamos ambos ter a tarefa importante de presidir à União Europeia."

De facto, Portugal assume a presidência da UE já no primeiro semestre de 2021, com a França a assumir a mesma presidência no primeiro semestre de 2022.

Destacando a "convergência"com o homólogo português na importância de temas como a reindustrialização da Europa, a transição ecológica ou a soberania digital, o chefe da diplomacia francesa lembrou ainda que ambos os países têm "uma história comum em África que queremos pôr ao serviço do desenvolvimento daquele continente". E sublinhou a necessidade de privilegiar a segurança, "sobretudo no golfo da Guiné.

Ainda em relação a África, Le Drian agradeceu "o empenho de Portugal ao nosso lado nas crises do Sahel". Portugal tem 74 militares no Mali no âmbito da MINUSMA (Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para Estabilização do Mali) enquanto a 7.ª Força Nacional Destacada, constituída por 180 militares, está integrada na Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização da República Centro-Africana (MINUSCA).

Num momento em que o governo britânico passou a primeira barreira parlamentar para aprovar legislação que entra em conflito com o acordo de retirada da UE, em especial a relacionada com a Irlanda do Norte, também no Brexit Le Drian e Santos Silva garantiram haver plena convergência entre Paris e Lisboa.

O chefe da diplomacia portuguesa destacou ainda as relações comerciais entre os dois países, lembrando que França é o segundo cliente das exportações portuguesas e o seu terceiro fornecedor, enquanto o seu homólogo francês saudou "a relação de carácter excecional entre França e Portugal", alimentada "pela história, pela cultura e pelas nossas comunidades, os 30 mil franceses residentes em Portugal e os dois milhões de portugueses em França, que tiveram um imenso contributo para o país".

Claro que em tempos de pandemia, não falar de covid seria impossível. Mais uma vez o discurso foi de convergência, com Le Drian a defender a coordenação na UE ao nível das fronteiras e das medidas sanitárias. "Concordámos que é necessário seguir uma coordenação estreita na gestão das fronteiras e na aplicação de medidas sanitárias a nível europeu, para que possamos preservar o espaço comum europeu e, ao mesmo tempo, aplicar as medidas sanitárias indispensáveis", garantiu o ministro dos Negócios Estrangeiros francês.

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