Covid-19. Apenas um quarto dos espanhóis quer ser vacinado com rapidez

Quatro em cada dez espanhóis acreditam que há uma conspiração por detrás das vacinas, segundo uma pesquisa do 40dB para o jornal El País. E só um quarto quer vacinar-se o mais rápido possível.

Num momento em que a pandemia de covid-19 alastra pela Europa, os espanhóis não parecem estar convencidos com as vacinas que estão a ser desenvolvidas. Um estudo mostra que apenas 24,1% desejava ser vacinado rapidamente contra a covid-19, enquanto 36,9% dos inquiridos escolheriam esperar um pouco mais para o fazer.

A mesma sondagem revela que 20,6% só o seriam se fosse estritamente necessário e 13,1% nem equaciona a hipótese de o fazer, segundo o estudo do 40dB para o El País. Estes dados foram recolhidos pouco tempo antes do anúncio da Pfizer sobre a eficácia da vacina, que foi de 90%.

Em termos de idades, observa-se que são os mais velhos que preferem ser vacinados o mais rapidamente possível (29,9%). Mas esta média baixa drasticamente na população mais jovem, entre os 25 e os 34 anos (apenas 18%).

O sociólogo que realizou este estudo para o Ministério da Ciência, Josep Lobera, acredita que se tivesse feito antes do anúncio da Pfizer, sobre a eficácia de 90% da vacina, as opiniões poderiam ter sido um pouco diferentes. O mesmo responsável indicou que é importante contextualizar que este receio não é apenas da população espanhola.

Embora estes resultados possam ser surpreendentes, eles coincidem com muitos outros estudos anteriores, tanto em Espanha como noutros países europeus.

Os laboratórios fizeram a sua parte no trabalho, e agora é hora de dar lugar à psicologia, à sociologia, à antropologia e à comunicação para que a imunização da população dê frutos e os cidadãos confiem na eficácia das vacinas.

Depois de aprovada pela Agência do Medicamento Europeia, a vacina pode chegar ao mercado em dias ou em um mês. A vacina da Pfizer já está a ser produzida na Alemanha e na Bélgica e as doses que daqui saírem irão em simultâneo para os vários países da UE. A ciência ganhou tempo à pandemia, mas é preciso ganhar tempo na transmissão do vírus.

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