Com Fillon no Eliseu, França vai ter uma 'first lady'

Filha de uma inglesa e de um galês, Penelope Filllon nasceu em Gales. Conheceu François num jantar, quando estudava em França. Casaram em 1980 e têm cinco filhos.

Discreta. Muito discreta. Este é o comentário mais frequente em todos os artigos escritos sobre Penelope Fillon. A mulher do candidato da direita às presidenciais francesas do próximo ano garante que os media não são os seu "habitat natural". Mas se François Fillon for o próximo presidente, como indicam todas as sondagens, esta advogada de formação que dedicou a vida a criar os cinco filhos e apoiar a carreira política do marido, vai mesmo ter se de habituar aos faustos do Eliseu e a ser a primeira-dama de França. Ou antes a first lady, uma vez que estamos a falar da filha de uma inglesa e de um galês, nascida há 60 anos numa aldeia medieval do País de Gales.

Abergavenny, com os seus 10 000 habitantes, o castelo e os mercados, não podia ser mais diferente de Paris e dos dourados do palácio presidencial. Mas numa raríssima entrevista, à revista Paris Match em 2015, quando o marido entrou na corrida às primárias da direita, a conselheira municipal em Solesmes, na Sarthe, lembrou que "quando casei com François, há 35 anos, não me imaginava como mulher do primeiro-ministro francês. Mas, por temperamento, adapto-me". Quanto aos tempos em Matignon - 2007 a 2012 -, em que eram notórias as tensões entre Fillon e o então presidente Nicolas Sarkozy (que o ex-primeiro-ministro derrotou na primeira volta das primárias. Na segunda bateu o também ex-chefe do governo Alain Juppé), Penelope garante que o marido "foi feliz. E eu gostei daquela casa. Tivemos uma vida normal, apesar do enorme trabalho e do peso das responsabilidades".

Adaptar-se é o que promete fazer se chegar a primeira-dama. Mesmo se uma das coisas que Penelope mais gosta na vida seja de andar pela casa de campo dos Fillon e sair "com umas calças velhas". Até porque, como explicava em 2007 em declarações ao diário britânico The Telegraph: "Ninguém quer saber, os habitantes locais pensam: "Olha, mais uma daquelas inglesas que gostam de jardinagem"."

Mãe de cinco filhos - os mais velhos, Marie, Charles, Antoine e Edouard, são adultos com carreiras próprias. O mais novo, Arnaud, 15 anos, anda no liceu -, Penelope explicou à Paris Match como o marido "é um pai muito presente". Mesmo se "não liga três vezes por dia aos filhos para saber como estão, mas está atento ao seu percurso". E até se comporta como "um avô babado" com os três netos do casal.

Frio talvez, dizem os críticos de Fillon. Para Penelope, a palavra não é a mais adequada. "É verdade que ele não gosta de mostrar os seus sentimentos e emoções. Por outro lado, garanto que não é um ilusionista: não promete nada que não possa cumprir", explicou a britânica à Paris Match.

Foi durante um ano em França para aperfeiçoar o francês, quando andava na universidade, que Penelope conheceu François. Os dois assistiram ao mesmo jantar, em Mans, mas o momento não pareceu marcar muito a jovem britânica: "Lembro-me do jantar, mas não me fez parar o coração", explicou anos depois. Mas a verdade é que quando voltou para o País de Gales, Penelope começou a ter saudades do francês. E assim começava uma relação à distância, com visitas da britânica a Paris, onde François estudava Direito, e idas dele ao Reino Unido "de ferry ou no comboio noturno".

Seis anos depois, em 1980, casaram na igreja do século XII, contígua a Abergavenny. "O meu pai ficou muito contente por eu casar com um francês", garantiu Penelope, mas quando a irmã mais nova, Jane, casou com o irmão de Fillon, "proibiu as outras duas filhas de olharem para franceses". Fillon, que os jornais britânicos descreveram como "um bebedor de chá anglófilo", devido à sua paixão por tudo o que vem do outro lado do Canal da Mancha, parece menos convencido do amor do sogro pelos franceses. Numa entrevista televisiva, confessou mesmo: "O meu pai odiava ingleses, por razões históricas. E o meu sogro odiava os franceses. Por isso, casar uma das filhas com um francês ainda vá... Mas duas! Isso já era demais."

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