O apelo de Mónica ao marido, Luaty Beirão

"Prefiro-te marido, pai e amigo a ter-te como mártir." A carta de Mónica Almeida, mulher de Luaty Beirão, ao marido, que cumpre hoje o 34.º dia de greve de fome.

Luaty Beirão quer deixar a clínica Girassol, onde está há cerca de uma semana, e voltar à cadeia de São Paulo, em Luanda. No dia em que a sua mulher, Mónica Almeida, lhe escreveu uma carta, publicada no Expresso, em que revela a sua preocupação pela degradação do estado de saúde de Luaty e admiração pela sua luta, o ativista luso-angolano voltou a dizer que não quer tratamento de exceção.

Na carta, com o título "Ao herói da minha vida", Mónica Almeida apela ao marido para que ponha fim à greve de fome, expressando a sua admiração por Luaty. "Qeuro-te presente e bem vivo para que possas transmitir esses valores bem vincados à nossa pequena Luena", diz, sobre a filha de 2 anos.

Ao 34.º dia de greve de fome - exigindo esperar julgamento em liberdade, uma vez que foi ultrapassado o prazo previsto para a prisão preventiva -, o rapper entrou com um segundo pedido de habeas corpus em tribunal, exigindo a sua libertação e dos 16 companheiros, detidos em junho, acusados de prepararem uma rebelião e um atentado contra o presidente angolano.

Mónica Almeida explicou ontem à noite que o estado de saúde de Luaty, de 33 anos, é "estável e de lucidez, mas a um ponto que dentro de um minuto pode não estar". Razão pela qual há uma grande preocupação com o luso-angolano.

O governo português também tem acompanhado o caso "desde o primeiro momento", com grande preocupação, tendo estado a apoiar quer a família de Luaty, que tem nacionalidade angolana e portuguesa, quer as dos restantes detidos, todos angolanos. O rapper já disse estar sensibilizado com a mobilização da sociedade portuguesa para com o seu caso, mas sublinhou que quer ser julgado apenas como angolano, tendo recusado a hipótese de apoio consular de Portugal ou na defesa.

O embaixador de Portugal em Luanda esteve na clínica Girassol esta semana, tendo mais tarde o Ministério dos Negócios Estrangeiros português confirmado que o estado de saúde do luso-angolano é estável.

A defesa de Luaty rejeita as acusações que levarão os ativistas a julgamento, marcado para 16 a 20 de novembro, em Luanda, e pediu especial pressa na avaliação do último pedido de habeas corpus, dada a gravidade do estado de saúde do ativista.

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