Cartoonista dispensado após publicar desenho com Trump a jogar golfe ao pé de migrantes mortos

Um desenho de Trump a jogar golfe junto do pai e da sua bebé migrantes que morreram afogados junto a El Paso valeu o despedimento do autor antes de o seu trabalho ser publicado.

"Não sou o tipo de pessoa que quer fazer carreira por ser despedido e continuo a desenhar cartoons para outras publicações. Só preciso de recuperar o meu rendimento semanal e acostumar-me à ideia de que não tenho voz na minha província natal".

Esta foi a forma de Michael de Adder comentar o facto de ter sido dispensado do grupo Brunswick News (um grupo de media canadiano) por ser o autor de um desenho que não chegou a ser publicado e que mostrava o presidente dos EUA, Donald Trump, de taco de golfe na mão, e no chão Óscar e Valeria, pai e filha (esta de 23 meses) que morreram no passado domingo 23 de junho quando tentavam atravessar o rio Grande, que separa Ciudad Juárez (México) de El Paso (EUA). No desenho Trump questiona: "Importam-se que continue o jogo?".

O desenho foi publicado por Adder na sua conta da rede social Twitter a 26 de junho, mas nunca foi impresso num jornal.

"O que é mais doido, um cartoonista ser despedido de um jornal por causa de um cartoon que não desenhou ou um cartoonista ser despedido de um jornal por um cartoon que eles não publicaram?", questionou Michael de Adder no Twitter onde defende que, tecnicamente falando, não foi despedido porque não tinha qualquer contrato com os títulos em causa.

Segundo Wes Tyrell, presidente da Associação Canadiana de Cartoonistas citado pelo Daily Cartoon, o momento do despedimento de Michael Adder não terá sido "uma coincidência".

Durante este domingo, Adder, além de ter escrito que não quer ser visto como uma vítima e de chamar a atenção para o facto de em setembro ir publicar um livro com alguns dos seus cartoons, foi republicando alguns dos trabalho na sua conta do Twitter.

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