Carta ao pai. Bill Gates despede-se de patriarca, o "verdadeiro Bill Gates"

Revela como o pai foi importante em todas as conquistas da sua vida, incluindo a criação da Microsoft e de como foi o responsável pela criação da "Fundação Bill e Melinda Gates". William H. Gates morreu na segunda-feira, aos 94 anos.

William H. Gates II (nunca usou o "II" pois achava-o pretensioso) morreu no dia 14 de setembro (segunda-feira), aos 94 anos. Partiu "pacificamente, em casa, rodeado pela família".

O fundador da Microsoft escreveu um longo texto, publicado no seu blogue, "Gates Notes", e intitulado "Recordando o meu pai - vou sentir-lhe a falta todos os dias". Publica ainda um vídeo onde Bill Gates sénior surge em várias fases da sua vida, sozinho e acompanhado pelos filhos ao longo do crescimento destes.

Naquela que é uma espécie de resposta à carta que o pai lhe escreveu quando completou 50 anos, Bill Gates recorda "a sabedoria, generosidade, empatia e humildade" de William Gates e revela como o pai foi importante em todas as conquistas da sua vida, incluindo a criação da Microsoft e como o influenciou, com o exemplo, a criar a "Fundação Bill e Melinda Gates", onde o antigo advogado - "um dos mais respeitados de Seattle" - trabalhou ao lado do filho.

"As minhas irmãs, Kristi e Libby, e eu temos muita sorte de ter sido criados pelos nossos pais. (...) Eu sabia que o amor e o apoio deles eram incondicionais, mesmo quando discutíamos durante a minha adolescência. Tenho a certeza de que esse é um dos motivos pelos quais me senti confortável em correr grandes riscos quando era jovem, como deixar a faculdade para começar a Microsoft com Paul Allen", escreve.

"A experiência de ser filho de Bill Gates foi incrível"

Bill Gates conta que nos primeiros anos da empresa de informática recorreu muitas vezes aos serviços do pai - que era advogado - e revelou que William Gates desempenhou um papel semelhante na vida de Howard Schultz, antigo CEO da Starbucks. "Suspeito que haja muitos outros que têm histórias semelhantes", confidencia.

Diz também que foi a influência do pai que o inspirou na filantropia. "Uma noite, na década de 1990, antes de começarmos a nossa fundação, Melinda, o pai e eu estávamos na fila do cinema. Melinda e eu conversávamos sobre como estávamos a receber cada mais pedidos de ajuda pelo correio. O pai disse apenas: ' Talvez eu possa ajudar`".

Na carta que recebeu do pai, quando completou 50 anos, Bill Gates recorda que este lhe recordou como não gostava que os filhos - e outras pessoas - abusassem do adjetivo "'incrível'. "Era uma palavra com grande significado para ser usada apenas em cenários extraordinários".

"Eu sei que ele não iria gostar que eu abusasse da palavra, mas não há perigo de o fazer agora. A experiência de ser filho de Bill Gates foi incrível. As pessoas costumavam perguntar ao meu pai se ele era o verdadeiro Bill Gates. A verdade é que ele era tudo aquilo que eu tento ser", termina.

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