Boris Johnson contorna isolamento e estreia videoconferência com deputados

O primeiro-ministro britânico compareceu hoje por videoconferência ao debate semanal no parlamento devido à quarentena de duas semanas que está a cumprir por ter estado em contacto com um deputado com covid-19.

Esta é a primeira vez que um chefe de Governo britânico, que responde todas às quartas-feiras a perguntas de deputados na Câmara dos Comuns, participa remotamente, algo que outros deputados têm feito em debates parlamentares desde o início da pandemia covid-19.

Apesar de ter testado negativo e não apresentar sintomas, Boris Johnson entrou em isolamento profilático no domingo por recomendação do sistema de rastreamento após uma reunião com um deputado que mais tarde foi diagnosticado como infetado.

Por tradição, o primeiro-ministro é substituído por outro ministro quando não está disponível, seja por ausência em funções ou por razões pessoais, como aconteceu no dia do nascimento do filho de Johnson, em abril.

Em meados de setembro, o líder do principal partido da oposição, Keir Starmer, foi representado no debate semanal em que se senta frente ao primeiro-ministro pela vice-líder Angela Rayner, por se encontrar em isolamento.

Hoje, Starmer endereçou "melhores votos" ao seu rival, antes de o questionar sobre questões como as adjudicações diretas de aquisição de equipamento de proteção pessoal para os profissionais de saúde.

Num relatório publicado hoje, o organismo oficial de supervisão das contas públicas, National Audit Office, alertou para a falta de transparência em muitos dos 8.600 contratos no valor de 18 mil milhões de libras (20 mil milhões de euros) feitos pelo Estado entre março e julho, a maioria por adjudicação direta e sem um processo de licitação pública.

"Soubemos esta semana que pode encontrar 21 milhões [de libras, 24 milhões de euros] em dinheiro dos contribuintes para pagar a um intermediário (...). Algumas semanas atrás, não conseguia encontrar essa quantia para pagar refeições escolares gratuitas para crianças durante as férias", acusou Starmer.

Johnson replicou, alegando que no início da pandemia o governo teve de agir para "remover bloqueios" no processo de aquisição de equipamento de proteção (PPE), como máscaras, batas e luvas.

"Estávamos a enfrentar uma situação muito difícil em todo o mundo porque não havia reservas suficientes (...) Movemos o céu e a terra para obter 32 mil milhões de unidades de PPE. Estou muito orgulhoso com o que conseguimos alcançar", respondeu.

O Reino Unido é o país europeu com o maior número maior de mortos na Europa, e o quinto a nível mundial, atrás dos EUA, Brasil, Índia e México.

Na terça-feira registou mais 598 mortes, aumentando para 52.745 o total oficial desde o início da pandemia covid-19, mas o balanço sobe para 63.873 quando são incluídos todos os casos que não foram confirmados por teste mas cuja certidão de óbito refere covid-19.

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